sábado, 1 de janeiro de 2011

FELIZ 2011!

Saudações Caríssimos,

Parabéns por mais um ano que chega. Boas vibrações e intenções rodeiam nossa atmosfera e isto é fator positivo para traçarmos nossas novas metas para este ano. Sendo assim, aproveito para traçar a meta de correr melhor no ano de 2011. Ano passado estive atribulado com muitas mudanças em minha vida. Estudos, trabalho, dinheiro, dívidas, relacionamento, entre outras coisas que fazem parte do nosso cotidiano.

Não que nada disso tenha deixado de existir, ou esteja sendo tão fácil de administrar, mas creio que há uma possibilidade de melhor me organizar e ainda assim correr, e correr bem.

Ao ler uma matéria do treinador Miguel Sarkis no site do Ativo.com me identifiquei com a matéria. Primeiro porque também trabalho com preparação física e concordo plenamente com o autor da matéria. Paciência é a palavra chave para o sucesso. E por fim, a temática também me interessa, pois sei o quanto de ansiedade tenho em realizar provas longas. O que me salva de não realizá-las de momento é a minha teimosia. Sei que preciso enfrentar fases e constituir uma base forte para realizar meus sonhos.

Então mãos a obra e boa leitura. Feliz 2011 novamente e boas corridas!

Segue abaixo o link da coluna do Miguel Sarkis no Ativo.com:

http://ativo.uol.com.br/Esportes/Pages/Porquecorrercomqualidadeestamaisdificil.aspx

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Temporada em off!!

Saudações prezados...

Infelizmente eu fiquei muitíssimo tempo fora de atualizar o blog. Mas agora estou com vontade de retomar o mesmo e necessito da ajuda de vocês seguidores. Isso mesmo, preciso saber qual é o tema que mais interessa a todos, pois assim vou me redimir perante esta longa temporada fora...

Fico no aguarde e bons treinos a todos!

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Síndrome do Piriforme???

Saudações Pessoas,

Resolvi colocar este post devido a um acontecimento - comigo mesmo - que me tirou dos treinos por um período de quase 60 dias. Li o artigo e resolvi publicar aqui no blog. Sei que algumas pessoas que treinam acompanham os meus posts e espero sinceramente contribuir para que ninguém tenha este tipo de lesão, pois dói demais, rs!

Segue abaixo o texto da revista Contra-Relógio (clique no título acima para ser direcionado ao link original), boa leitura!!!

EDIÇÃO 172 - JANEIRO 2008

Síndrome do Piriforme! Conhece?

POR ALESSANDRA ARKIE E KENIA GUERRA BAUMANN (fisio-rpg@uol.com.br)

Se você sente dor na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido, dê uma lida nesta matéria

As lesões esportivas são comuns e específicas de acordo com a natureza do esporte. No caso da corrida, o toque repetido do pé no solo transfere as forças mecânicas dos membros inferiores até a coluna. E se algo não está harmônico neste "caminho das forças", as lesões podem aparecer com mais freqüência.

Quando falamos em lesões pensamos logo nas que são causadas pelo esporte ou atividade física praticada. Porém, existem lesões que são decorrentes de nossas atividades do dia-a-dia ou as que são provocadas pela junção de maus hábitos posturais mais o esporte.

É o caso da Síndrome do Piriforme, que é uma patologia que pode acontecer por associação de fatores presentes no nosso dia-a-dia e na prática esportiva.

O QUE É? A Síndrome do Piriforme é uma irritação do nervo ciático provocada pelo aumento da tensão ou espasmo do músculo piriforme.

O piriforme é um músculo pequeno e profundo, localizado na nádega, sob os glúteos e tem como função a rotação externa da coxa, que é quando o joelho "olha" para fora, além de auxiliar na abdução (abertura da coxa). Sua localização vai do sacro (porção final da coluna) até o fêmur (osso da coxa). O nervo ciático passa debaixo deste músculo, mas em algumas pessoas (10%) ele passa através dele, o que aumenta a predisposição para a síndrome (veja figura no final do texto). Se o músculo se tensionar pode haver compressão do nervo ciático o que causa dor, com irradiação para a perna.

Alguns estudos relatam predominância maior de casos em mulheres numa proporção de 6:1.

O QUE CAUSA? A causa mais comum é a tensão e encurtamento do músculo piriforme. Porém tensão e encurtamento da musculatura próxima a ele (coluna, nádega e quadril) também geram tensão neste músculo, predispondo à compressão do nervo ciático.

É comum em esportes que requerem corrida, mudança de direção ou descarga de peso excessiva. Os seguintes fatores podem também favorecer o aparecimento da síndrome: corrida em terrenos duros ou irregulares, subir escadas, atividades que exijam muito agachamento e uso de calçados inapropriados para o tipo de pisada ou gastos demais.

No caso de pronação excessiva, o membro inferior sofre uma rotação excessiva, o que sobrecarrega a tíbia, joelho, quadril e coluna. Por isso é importante a utilização de calçados adequados para o tipo de pisada.

Quem anda e principalmente corre com a ponta do pé muito aberta, para fora (tipo dez para as duas) tem mais chances de tensionar o piriforme, pois fica o tempo todo estimulando o músculo na sua função, que é rodar a coxa para fora juntamente com o pé quando o joelho está esticado.

O aumento rápido na intensidade ou duração dos treinos pode contribuir para o aparecimento da síndrome por sobrecarga do piriforme. Traumas diretos podem provocar edema na região do piriforme ou causar uma tensão e conseqüente compressão e irritação do nervo ciático.

Um desequilíbrio muscular entre os rotadores internos e externos do quadril, como no caso de rotadores externos mais fortes que os internos, contribuem para encurtar o piriforme, além de desequilíbrios da pelve. Os distúrbios na biomecânica dos membros inferiores e coluna, incluindo distúrbios na marcha, vícios (maus hábitos) e alterações posturais também podem causar a síndrome.

Manter a postura sentada por longos períodos, principalmente com a coxa em rotação externa (como ao dirigir) diminui o aporte sanguíneo para a região do músculo e altera a fisiologia do piriforme (e dos músculos próximos à ele também) e provoca encurtamento.

Como esta é uma patologia causada por um aumento na tensão do músculo (ou espasmo), a falta de alongamento irá contribuir para que a musculatura envolvida se tensione ainda mais e piore os sintomas.

SINTOMAS. As queixas incluem dor que pode acontecer em alguns locais como: na região glútea (nádega), quadril, lombar, membro inferior e também formigamento ou dormência, que podem irradiar em direção à perna do lado acometido.

A dor pode ser reproduzida na rotação externa do quadril resistida, que é quando tentamos impedir o movimento de afastar os joelhos, ou seja, o joelho vai para fora e o pé para dentro, como ao cruzar uma perna sobre a outra. Ou quando se força o movimento contrário (rotação interna), isto é, quando forçamos o movimento de levar o joelho para dentro e o pé para fora.

Numa avaliação postural, o membro inferior acometido pode apresentar uma rotação externa maior que o não acometido (com o joelho esticado o pé roda para fora e sentado, o joelho "olha" para fora).

MEDIDAS A SEREM TOMADAS. Procurar um médico para que o diagnóstico seja estabelecido, descartando a possibilidade de outras patologias que têm sintomas parecidos com a Síndrome do Piriforme é a primeira atitude a ser tomada. Deve ser feito um exame físico detalhado para descartar a possibilidade de hérnia discal, problemas associados à compressão nervosa na região lombar (estreitamentos de forames), artroses ou patologias da região sacro-ilíaca.

Como é uma condição patológica que não se comprova em exames de imagem, o diagnóstico é estabelecido com base no exame físico e nos sintomas, o que pode acarretar em erro no diagnóstico e dificuldade no tratamento, ao se focar em coluna quando o problema está na região do quadril.

Depois de confirmado o diagnóstico, podem ser prescrito medicamentos para auxiliar no alívio da dor e relaxar a musculatura. Pode ser orientado repouso relativo (parar corrida ou qualquer outra atividade física por um tempo) ou apenas a redução no ritmo da corrida. Porém é importante a realização da fisioterapia, onde será orientado um programa de exercícios para equilibrar a musculatura, além de técnicas diversas para alívio dos sintomas, de acordo com cada quadro apresentado. Com isso, a prática esportiva acontecerá sem riscos de retorno dos sintomas.

TRATAMENTO. O tratamento tem como objetivos a redução da dor, melhora da flexibilidade e força e diminuição da tensão do músculo piriforme e dos músculos próximos à região, através de técnicas de massagem. Poderão ser utilizados aparelhos como ultra-som e TENS para o alívio da dor e formigamento/dormência e deve ser orientado um programa de alongamentos e fortalecimentos para que o retorno ao ritmo de corrida seja seguro e com boa performance.

A utilização de ultra-som e massagem são técnicas efetivas para remover metabólitos e tecido cicatricial (evita fibrose), além de acelerar a resolução da lesão.

A aplicação de gelo deverá ser feita para diminuir a dor, pois o gelo tem efeito analgésico e antiinflamatório. Pode ser feito da seguinte forma: coloque várias pedras de gelo num saco plástico e amarre. Coloque este saco dentro de um tecido fino e úmido e coloque na região glútea, mantendo por 20 minutos. Repetir 3 vezes por dia e não tomar banho logo após a aplicação, para não interromper o efeito do gelo.

Os exercícios devem ser iniciados assim que houver algum alívio da dor, de acordo com o quadro apresentado pelo paciente. Os alongamentos devem ser feitos no início de forma leve e os fortalecimentos devem ser introduzidos gradualmente.

Todos os músculos envolvidos, além do piriforme, devem ser alongados e fortalecidos para que funcionem em harmonia sem causar nenhum transtorno ao atleta no futuro. Porém, nesta matéria, deixaremos sugestões de alongamentos mais voltados ao piriforme (e músculos com a mesma função que a dele). É importante salientar que estes exercícios não devem ser utilizados como forma de tratamento, e sim apenas como auxiliares.

O retorno ao esporte deve ser um processo gradual. O tempo de retorno dependerá da extensão da lesão e do nível de atividade praticada.

LINK PARA OS ALONGAMENTOS: http://revistacontrarelogio.com.br/pdfs/Fisio_2.pdf

DICAS E PREVENÇÃO: http://revistacontrarelogio.com.br/pdfs/Fisio_3.pdf

LINK DA FIGURA DO QUADRIL: http://revistacontrarelogio.com.br/pdfs/Fisio_1.pdf

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

FAST TRIATHLON EM SANTOS

Saudações prezados leitores,

Começo de ano, e também retomada de um longo período de ausência. Infelizmente o final de ano foi muito corrido. Família, trabalho, estudos, tudo isso se tornou prioridade de uma única vez, e aí já se viu o quanto fica a vida, ou seja, uma correria só.

Acho que agora eu conseguirei me organizar melhor, apesar de ainda estar até o pescoço de tarefas por fazer, mas vamos tocar o barco, rs!

Resolvi postar os vídeos do site Globo.com a respeito do mundialito de Fast Triathlon que aconteceu em Santos, somente para deixar uma contribuição para este esporte que eu gosto muito. Ainda neste final de semana eu pretendo colocar dois tópicos interessantes, um a respeito de lesão no esporte, e outrosobre ansiedade pré competição.

Aproveitem os vídeos e bons treinos!

Abraço a todos!





sábado, 26 de setembro de 2009

PARALISIA CEREBRAL E ESPORTE ADAPTADO - clique aqui nesse link!

Prezados,

Já faz um tempinho que eu não posto nada no blog, mas acreditem que está faltando tempo para eu fazer tudo o que quero, rs! É o trabalho, a especialização, agora o trabalho na área escolar... Posso dizer que estou feliz com tudo isso!

Bom, a contribuição desta vez tem haver com a condição de saúde de uma pessoa que pratica esportes. Trata-se de um atleta do circuito paraolímpico e que presto uma assessoria no treinamento do mesmo. É interessante em como acreditar no potencial das pessoas e incentivá-las a dar o primeiro passo pode mudar totalmente suas perspectivas.

Vou publicar aqui alguns trechos de um trabalho que realizei durante a minha graduação e que serviram de base para a minha especialização e futuramente para o mestrado. Este material foi publicado em anais de congressos e simpósios e acredito que tráz informações suficientes para aqueles que pretendem desenvolver atividades para pessoas em condição de paralisia cerebral.

Boa leitura a todos!

ASPECTOS MOTORES DA PARALISIA CEREBRAL: PARÂMETROS PARA O DESENVOLVIMENTO DE ATIVIDADES NA EDUCAÇÃO FÍSICA

BAUSAS JUNIOR, E. A. – acadêmico da Educação Física – edubausasef@gmail.com
CHAGAS, E. F. – docente da Fisioterapia – chagas@stetnet.com.br

Entidade: Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – FCT/UNESP Campus de Presidente Prudente

INTRODUÇÃO

Desenvolver atividades físicas para quaisquer indivíduos na escola, na academia, no clube, pode ser tarefa simples para o professor de Educação Física. Isto porque dentro da sua formação acadêmica são repassados os conhecimentos necessários para tal prescrição de atividades, tudo adquirido em disciplinas de fisiologia, anatomia, cinesiologia, treinamento desportivo, técnicas nas diferentes modalidades desportivas e recreativas, incluindo demais disciplinas da área de humanas, tais como, antropologia, sociologia, filosofia, práticas de ensino, entre outras.

Atualmente, vivemos na perspectiva da inclusão de pessoas com deficiência no contexto da educação regular, sendo assim, o currículo da graduação em Educação Física necessita de disciplinas voltadas a Educação Física Adaptada (EFA) preparando o professor para trabalhar na perspectiva da inclusão das pessoas com deficiência.
Cidade e Freitas (2002) descrevem sobre a Educação Física e a participação da pessoa com deficiência neste processo:

No que concerne à área da Educação Física, a Educação Física Adaptada surgiu oficialmente nos cursos de graduação, por meio da Resolução número 03/87, do Conselho Federal de Educação, que prevê a atuação do professor de Educação Física com o portador de deficiência e outras necessidades especiais. A nosso ver, esta é uma das razões pelas quais muitos professores de Educação Física, hoje atuando nas escolas, não receberam em sua formação conteúdos e/ou assuntos pertinentes à Educação Física Adaptada ou à inclusão (p. 27).

É fundamental, segundo Silva e Araújo (2005), na formação do professor de Educação Física, a disciplina de EFA, pois esta é parte na “construção de saberes” para na prática de atividades físicas para pessoas com deficiência e, neste caso, pessoas com paralisia cerebral.

No entanto, ainda nestes tempos, Aguiar e Duarte (2005) demonstraram que a graduação em Educação Física ainda não tem sido a principal forma de conhecer a EFA. Na pesquisa realizada no estado de São Paulo, em 2004, verificaram que 17,9% dos entrevistados não conheciam o tema e 82,1 % já o conheciam. Porém, destes, apenas 13,4% adquiriram este conhecimento na graduação e os demais aprenderam ou conheceram a EFA através de palestras, leituras independentes, entre outras fontes.

Pensando nisso, reconhecer que existam profissionais que não obtiveram embasamento necessário para desenvolver atividades físicas para pessoas com deficiência, torna-se uma preocupação imediata, pois alunos com deficiência estão sendo incluídos nas escolas. Portanto, desenvolver atividades físicas para pessoas com deficiência é possível.

Se o professor de Educação Física conhecer sobre a pessoa, suas possibilidades, suas características motoras, limitações, as diferentes situações existentes diante das diversas lesões cerebrais e demais estruturas do sistema nervoso, pode auxiliar a compreender a situação e utilizar as ferramentas da Educação Física para facilitar a participação da pessoa com deficiência nas aulas.

O desconhecimento sobre estes assuntos pode gerar sentimentos no professor de medo, ansiedade, incapacidade e conseqüente preconceito, estigma, resultando no impedimento e exclusão destas pessoas nas aulas de Educação Física ou nas atividades esportivas. Neste sentido, este trabalho tem o propósito de apresentar os aspectos motores da paralisia cerebral como parâmetro ao desenvolver atividades na Educação Física buscando divulgar o conhecimento nesta temática para assim, contribuir com a formação de estudantes e profissionais de Educação Física.

METODOLOGIA

Foi realizado estudo teórico a partir de revisão bibliográfica visando adquirir conhecimentos sobre a paralisia cerebral e formas de atividades físicas que podem ser desenvolvidas com a pessoa que possui este tipo de deficiência. O levantamento bibliográfico realizado foi não-sistemático, foram selecionados livros e artigos científicos, além de páginas da Internet em sites relacionados com o tema. Os temas consultados e combinados foram aspectos motores de pessoas com deficiência, educação física adaptada, educação física escolar para pessoas com deficiência, aspectos motores da paralisia cerebral, paralisia cerebral e atividade física, jogos e treinamento desportivo adaptado.

RESULTADOS

Este estudo possibilitou adquirir o embasamento necessário sobre a paralisia cerebral, conhecendo seus aspectos motores o que favorecerá no desenvolvimento de atividades físicas pelo professor de Educação Física. Sendo assim, a seguir os resultados sobre a questão da definição sobre paralisia cerebral e seus aspectos motores são apresentados da seguinte forma. A definição de paralisia cerebral por Adams (1985) é de:

Uma perturbação da função muscular que surge após uma destruição ou uma ausência congênita dos neurônios motores superiores. Essa alteração frequentemente é complicada pela ocorrência de convulsões, alterações do comportamento ou retardo mental (p. 80).

A REDE SARAH de hospitais de reabilitação afirma que:

O termo paralisia cerebral (PC) é usado para definir qualquer desordem caracterizada por alteração do movimento secundária a uma lesão não progressiva do cérebro em desenvolvimento.

No livro da Associação Brasileira de Paralisia Cerebral (ABPC), o conceito apresentado por Souza (1998) refere-se:

Termo usado para designar um grupo de desordens motoras não progressivas, porém sujeita a mudanças, resultante de uma lesão no cérebro nos primeiros estágios do seu desenvolvimento (p. 33).

Outro fato importante a relatar é que a paralisia cerebral é possui diferentes classificações com relação à alteração de movimentos existentes. Sendo espástica, a lesão está localizada na área responsável pelo início dos movimentos voluntários, trato piramidal, o tônus muscular é aumentado e os reflexos tendinosos são exacerbados.

Em lesões em estruturas ligadas ao trato extrapiramidal, a pessoa apresenta movimentos involuntários, fora de seu controle, sendo que os mesmos ficam prejudicados por serem estas estruturas responsáveis pelo controle e regulação destes movimentos. Esta pode se comportar como coréia, atetose ou distonia. O termo coreoatetose é usado para definir a associação de movimentos involuntários contínuos, uniformes e lentos (atetósicos) e rápidos, arrítmicos e de início súbito (coreicos).

A criança com PC tipo distônica apresenta movimentos intermitentes de torção devido à contração simultânea da musculatura agonista e antagonista, muitas vezes acometendo somente um lado do corpo. Outra situação é a paralisia cerebral atáxica, mais rara, que está relacionada a lesões cerebelares ou suas vias. Como a função principal do cerebelo é controlar o equilíbrio e coordenar os movimentos, os indivíduos com lesão cerebelar apresentam incoordenações tanto nos movimentos finos como nas atividades gerais, ou seja, marcha cambaleante, dificuldade para realizar movimentos alternados rápidos, ou mesmo atingir um alvo. Todas estas características podem estar reunidas em um indivíduo e, portanto, o mesmo é classificado como caso misto (Souza, 1998; Leite, Prado, 2004; REDE SARAH, 2007).

Além disso, a paralisia cerebral ainda é classificada pela localização no corpo, ou seja, podem ser tetraparética ou tetraplégica – quatro membros envolvidos, diparética ou diplégica – dois membros envolvidos, normalmente os membros inferiores, hemiparética ou hemiplégica – um lado do corpo somente envolvido, ou o direito ou o esquerdo, e ainda em casos mais incomuns, monoparética ou monoplégica – apenas um membro do corpo. O sufixo plegia é associado à perda total de movimentos, enquanto o sufixo paresia é a perda parcial dos mesmos.

Ressalta-se aqui sobre o fato desta lesão ocorrer em alguma parte do encéfalo (SNC), sendo que as características apresentadas acima são acompanhadas por disfunções que envolvem a perda ou dificuldade de movimentos, a alteração no controle e no tônus muscular, a sensação ou percepção do corpo e suas ações no espaço dentre outros comprometimentos como o equilíbrio, a fala, a visão ou cognição.

Na reabilitação, tais aspectos devem ser considerados em sintonia com o desenvolvimento da pessoa. Nem sempre todas essas características estão presentes em todos os casos de paralisia cerebral e também tais situações podem ter diferentes graus de severidade, o que deve ser considerado, pois diferentes atividades podem ser adaptadas para estas diferentes situações. Cabe ressaltar que se faz necessário conhecer a pessoa, pois mesmo em situações de grande comprometimento, a participação na atividade surpreende e muitas vezes, movimentos são ativados e “encontrados e descobertos” pela pessoa durante a aula de Educação Física. Desta forma, compreender os aspectos motores não significa trabalhar nos limites deste corpo, mas entender os mecanismos neurofuncionais e a ampla possibilidade dos recursos corporais existentes na pessoa com paralisia cerebral.

CONCLUSÃO

A Educação Física bem orientada promove o desenvolvimento sensório-motor favorecendo o desempenho físico e muitos outros aspectos ligados à vida destas pessoas. Após realizar uma abordagem inicial com o indivíduo que possua esta lesão e identificar suas possibilidades dentro dos aspectos motores já demonstrados, o professor de Educação Física poderá desenvolver atividades físicas que possam ser realizadas buscando oportunizar o uso do corpo em diferentes situações, o que possibilita a descoberta do movimento e o significado que o movimento traz para a vida desta pessoa.

Como Silva e Araújo (2005) resgatam as Diretrizes Curriculares dos cursos de Educação Física ressaltando que esta tem como objeto de estudo o movimento humano e utiliza diferentes formas e modalidades do exercício físico, do esporte, da promoção, proteção e reabilitação da saúde, da educação e reeducação motora, da prevenção do agravo à saúde, entre outros. O enfoque deste trabalho trata de buscar a compreensão entre o que a paralisia cerebral resulta neste movimento e suas implicações no desenvolvimento das atividades na Educação Física.

Cabe ressaltar que a preocupação aqui é compartilhar conhecimento sobre as conseqüências de uma lesão cerebral, porém há que considerar que estes não podem ser desvinculados de outros aspectos da vida da pessoa. A individualidade biológica, o significado do corpo, fatores psicológicos e afetivos, condições sociais e ambientais são perspectivas que necessitam ser consideradas e apreciadas pelo professor de Educação Física.

BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

ADAMS, R.C.; DANIEL, A. N.; MC CUBBIN, J. A. Jogos, Esportes e Exercícios para o Deficiente Físico. 3ª ed. São Paulo: Manole, 1985.

AGUIAR, J. S., DUARTE, E. Educação Inclusiva: um estudo na área da Educação Física. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v.11, n. 2, 2005. Disponível em: . Acesso em: 12. mai. 2007.

CIDADE, R. E.; FREITAS, P. S. Educação Física e Inclusão: considerações para a prática pedagógica na escola. São Paulo: Site da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”, campus de Rio Claro, Instituto de Biociências, 2007. Pasta de arquivos da universidade para acesso dos alunos de graduação e pós-graduação. Disponível em: . Acesso em: 12 mai. 2007.

DEFICIÊNCIA física. Paralisia Cerebral. São Paulo: 2006. Site do Entre Amigos, Rede de Informações sobre Deficiência. Disponível em: . Acesso em: 5. mai. 2007.

LEITE, J. M. R. S., PRADO, G. F. Paralisia Cerebral aspectos fisioterapêuticos e clínicos. Revista Neurociências, São Paulo, v.12, n. 1, 2004. Disponível em: . Acesso em: 5, mai. 2007.

REDE SARAH de hospitais de reabilitação. Brasília, 2007. Apresenta informações sobre doenças tratadas. Disponível em: . Acesso em: 12 mai. 2007.

SILVA, R. F., ARAÚJO, P. F. A Educação Física Adaptada e o percurso para sua alocação enquanto disciplina na formação superior. Revista Conexões, São Paulo, v. 3, n. 2, 2005. Disponível em: . Acesso em: 12 mai. 2007.

SOUZA, A. M. C. Prognóstico Funcional da Paralisia Cerebral. IN: SOUZA, A. M. C., FERRARETTO, I. Paralisia Cerebral: aspectos práticos. São Paulo: Memnon, 1998.

domingo, 30 de agosto de 2009

7ª ETAPA DO CIRCUITO PAULISTA DE MARATONAS AQUÁTICAS

Prezados,

Antes de falar sobre o circuito paulista de maratonas aquáticas, quero falar sobre o caso da atleta Mariana Ohata. Essa atleta é uma das mais importantes representantes do triathlon brasileiro, e referencial para vários atletas amadores. Mais uma vez teremos de aguardar o esclarecimento sobre este caso.



Participando de alguns fóruns de comunidades no orkut é visível o tamanho da desinformação que praticantes de atividade física tem sobre suplementação, doping, entre outros recursos nos quais, atletas de alto rendimento, fazem uso para garantir suas performances.

Quero deixar claro que não sou defensor de "dopagem", ou de quaisquer ação que favoreça o atleta ilegalmente - que ele obtenha vantagem sobre os outros - mas acredito no debate sobre o uso de recursos ergogênicos para "acelerar" o processo de recuperação. É hipocresia dizer que atleta não utiliza, pois existem substâncias permitidas e que aceleram a recuperação ou tardiam a fadiga, como é o caso da Maltodextrina e da Cafeína respectivamente.

Quem trabalha com esporte de alto rendimento sabe o quanto é pesado o fardo de manter-se dentro das categorias de elite. Existem interesses financeiros antes de qualquer outra finalidade - seja no desenvolvimento do esporte, ou então na prática descompromissada - o que aumenta ainda mais a pressão de bons resultados. Se o atleta apresenta resultados positivos, tudo vai bem, mas caso ele não apresente provavelmente será deixado no esquecimento.

Acredito que todos os seguidores deste blog tem suas opiniões sobre o assunto, e neste canal podem se manifestar com os seus depoimentos. Caso achem interessante, também posso montar uma enquete para saber, se quem passa por aqui para ler este blog, já fez ou não o uso de recursos ergoênicos dentro de suas práticas esportivas.

O mês de agosto foi muito bom para os meus alunos e atletas em matéria de competições. Aproveito este espaço para parabenizar Suely Rassegawa, que participou de sua primeira corrida de rua - Corrida e Caminhada contra o Câncer de Mama - concluindo a prova em 45º lugar de sua categoria, num universo de 183 corredoras. A suely treinou apenas 2 meses para este evento e mostrou um bom desempenho durante a prova. Parabéns mais uma vez!

Aproveito para parabenizar, Renan Rodrigues Souza, atleta que participa do Circuito Paraolímpico Loterias Caixa, e que conquistou o primeiro lugar na sua categoria (T35) na etapa Centro-Leste. Este atleta está comigo há 4 anos, e hoje ele é o atual recordista brasileiro na sua modalidade. Parabéns Renan!



Bom, sobre a maratona aquática, este evento ocorreu na data de hoje e serviu de iniciativa para os alunos que eu treino na natação, para testar suas performances individuais numa competição de águas abertas. O dia estava maravilhoso, mas a temperatura da água era fria demais - o que diminui a sensibilidade durante a execução dos nados. Mas nada afetou o entusiasmo da galera que conseguiu concluir a prova cada qual no seu ritmo.



Para a preparação tivemos apenas 8 semans de treino, focando especificamente o volume, pois a intensão era de apenas terminar a prova - já que todos eram estreantes. Este serviu de incentivo para novos objetivos que os próprios alunos estão traçando.



Para a preparação física ter êxito é necessário um planejamento. Usando a periodização - feita por um profissional especializado - as chances de sucesso beiram os 100%, deixando uma pequena margem de erro para os fatores ambientais que podem interferir no resultado final. Sendo assim, parabenizo os atletas da Academia Pro Physical, valeu galera!

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

DOPING NO ATLETISMO











Prezados,

Este é apenas um extra, já que resolvi escrever de 15 em 15 dias, mas não podia deixar passar em branco o que está acontecendo com o atletismo brasileiro, ainda mais com o pessoal da cidade de Presidente Prudente/SP.

Felizmente eu pude conhecer pessoalmente todos os profissionais (atletas, técnicos e o fisiologista) envolvidos neste acontecimento. Sou filho da UNESP, me formei em Educação Física em Presidente Prudente, local que tive a oportunidade de conhecer e aprender a trabalhar com atletismo. O resultado disso foi ter um atleta no circuito Paraolímpico - atual recordista brasileiro nos 100m na categoria T35.

Mas muitos estão falando de coisas que nem sequer sabem como realmente funcionam. O campus da UNESP de Presidente Prudente é polo de atletismo no estado de São Paulo e do Brasil também. O técnico da seleção brasileira, o fisioterapeuta e outros profissionais são de lá também, e sempre houve seriedade nos trabalhos realizados com os atletas. Pedro Balikian Jr. foi meu professor, assim como Jayme Netto, e posso dizer que conheço a seriedade com que esses profissionais trabalham. Acredito em erros, e todos nós estamos sujeitos a isso.

O uso de substâncias sintéticas são presentes no esporte de alto nível, e muitos comentários postados aqui são infundados. Se existem atletas nesta comunidade - atletas de alto nível - os mesmos saberão o que estou querendo transmitir. A carga de trabalho durante a preparação de base e específica é muito intensa, poucos conseguem se recuperar somente durmindo e se alimentando. Não é segredo que essas substâncias são usadas na recuperação...

Portanto, nada foi feito com ingenuidade. Acho melhor aguardar e ouvir ambas as partes... Pois participei de vários procedimentos - avaliações e treinamentos em atletas - e nunca ouvi sequer um comentário sobre dopagem em excesso, pelo contrário, ouvi falar que sem treino não adianta se dopar. O próprio Lauter Nogueira disse na mídia alienante globalística que o ganho é pequeno - não menosprezando o professor Lauter, que por sinal já foi em Presidente Prudente ver como funciona os treinamentos de atletas.

Que tal refletir sobre o assunto?
Abraço a todos!

sábado, 1 de agosto de 2009

E VAMOS PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2009...

Fim das férias!!!

Saudações prezados,

Depois de um longo tempo sem postar qualquer informação, trago desta vez algumas reflexões sobre as principais competições que ocorreram no mês passado (julho). Primeiramente, quero citar sobre a Golden League, sendo que o campeão deste evento fatura $1.000.000,00 em barras de ouro - são 6 etapas ao todo. Quero destacar o evento do Meeting Areva realizado em Paris, tendo como atrações masculinas:

Usain Bolt - Jamaica - 9'79" nos 100 metros rasos;
Jeremy Wariner - Estados Unidos - 45'28" nos 400 metros rasos;
Kenenisa Bekele - Etiópia - 7'28'64" nos 3.000 metros;
Dexter Faulk - Estados Unidos - 13'14" nos 110 metros com barreiras;
Andreas Thorkildsen - Noruega - 88,03 metros no lançamento de dardo.

Já as atrações femininas ficaram por conta de:

Kerron Stewart - Jamaica - 10'99" nos 100 metros rasos;
Sanya Richards - Estados Unidos - 49'34" nos 400 metros rasos;
Dawn Harper - Estados Unidos - 12'68" nos 100 metros com barreiras;
Blanka Vlasic - Croácia - 1,99 metros no salto em altura;
Elena Isinbaeva - Rússia - 4,65 metros no salto com vara.



Para a nossa felicidade tivemos dois representantes tupiniquins:

Jadel Gregório - 17,12 metros no salto triplo - conquistando a segunda colocação da competição;
Fabiana Murer - 4,45 metros no salto com vara - conquistando a quinta colocação na competição.

Também tivemos no mês de julho o Tour de France, competição que percorre a França totalizando 3.445 km - realmente é de impressionar! Além da distância a competição ocorre por cerca de 21 dias e são enfrentadas montanhas de até 2.473 metros - haja pernas! O grande campeão foi sem sombra de dúvidas Alberto Contador - Espanha - 85h48'35" que demonstrou ser um atleta de extrema força (tantos nas escaladas, quanto na prova de contra-relógio individual) e tendo a impressionante marca de velocidade média de 40,15 km/h no geral da prova.



Por fim, temos o Mundial de Esporte Aquáticos que aconteceu em Roma - Itália - e vou citar apenas a participação brasileira que conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, participou de 18 finais na natação, obteve um recorde mundial, nove recordes do campeonato, seis tempos das Américas e 32 novas marcas sul-americanas. O destaque ficou por conta de César Cielo Filho, com os tempos de 21'08" nos 50 metros livre e 46'91" nos 100 metros livre, batendo também o recorde da prova e o recorde mundial respectivamente.



Mas o que eu quero com essas informações transmitir para vocês? Todos esses atletas apresentam marcas impressionantes alcançadas... Mas como alcançá-las? Disciplina, determinação, foco, paciência. E a genética também conta? Sem sobra de dúvidas. Mas que relação isso tem haver com o leitor deste post?

Todos nós possuímos marcas que desejamos alcançar, sejam elas na prática esportiva sistematizada, ou na simples quebra de uma marca pessoal - apenas com o propósito de superação. Para isto, os fatores já mencionados (disciplina, determinação, foco, genética, entre outros...) fazem a diferença para aqueles que querem atingir seus objetivos. Não adianta querer se superar sem estar preparado para isso!

Tenho ouvido muito de meus alunos que visam a superação de marcas em tão pouco tempo, e o que eu digo a eles é que parem de ser tão ansiosos. A preparação para a superação - de até marcas pessoais - se faz com paciência e determinação, aliando a disciplina de treinos. O imediatismo praticamente atrapalha a construção de um corpo que supere suas próprias marcas.

Na ciência do treinamento esportivo existem princípios que não podem ser ignorados. Estes princípios são constituições de um todo que é dividido em etapas, não se pode simplesmente pulá-las acreditando que podem alcançar resultados superadores.

Portanto reflitam sobre suas ações em seus treinos e respeitem seus limites dentro de cada etapa. Ao respeitar a construção do sucesso, o mesmo será inevitável. Nosso corpo é uma máquina perfeita, mas que necessita de tempo para determinada adaptação. Então chega de conversa e vai treinar!!!

Abraço a todos e até breve!

domingo, 28 de junho de 2009

CORPO MOTRIZ

Prezados,

A partir de hoje este será o novo nome do blog, "CORPO MOTRIZ". Com certeza alguns de vocês devem questionar o porque esta mudança...

O fato é que existem outros interesses, além do treinamento esportivo, nos quais eu pretendo comentar neste blog. E o movimento humano não se restringe somente ao treinamento, ou então a participações em competições. O movimento humano é presente em nossas vidas desde o nosso nascimento.

Refletir sobre este corpo que se movimenta no mundo é algo que não devemos deixar de lado. Portanto, espero que o blog continue a contribuir com o acúmulo de conhecimento de quem o visita.

O Corpo Motriz procura abranger todos os aspectos do movimento humano, desde suas atividades de vida diária, passando pelas atividades físicas, lazer, treinamento e participação em competições. Então participem e contribuam sobre suas experiências com seus corpos!

Agradeço a atenção de todos, e até breve!

domingo, 14 de junho de 2009

PLIOMETRIA E TREINAMENTO FUNCIONAL - algumas considerações

Prezados,

Novamente estou em débito com todos vocês seguidores deste blog. Já faz um bom tempo que não contribuo postando algo de interessante sobre o treinamento personalizado, mas vou-me redimir abordando um assunto deveras interessante para todos.



Você é o que você treina!

Com certeza vocês já ouviram esta frase, mas muitas pessoas ainda não tem idéia do peso que representa isso. Acreditar que ao sair da disciplina de treinos e pular etapas, a possibilidade de êxito ao final do treinamento é uma idéia totalmente enganosa.

Portanto, o ideal para melhorar o desempenho atlético é um sistema de treinamento bem organizado. Ou seja, seguir o conceito de periodização (que já foi citado neste blog) favorecerá a sua adaptação às exigências específicas do desporto.

Bompa (2004) cita que um atleta pode ser muito forte, mas não tão potente, e isso pode ser confirmado por outros autores da ciência do treinamento desportivo. Estes ganhos de força somente podem ser transformados em potência através de métodos específicos de treinamento. Nesse caso, apresento para aqueles que não conhecem, o método pliométrico de treinamento.

Talvez você nem saiba, mas já praticou exercícios pliométricos na sua infância, principalmente quando brincava de amarelinha, ou então de elástico ou pula cela. Todas essas brincadeiras envolvem os conceitos da pliometria, que significa um reflexo miotático (ciclo de alongamento-contração). Os primeiros estudos sobre a plimoetria foram realizados por Verkhoshanski entre 1967 e 1968, sendo que ele percebeu que os exercícios aumentavam a potência explosiva dos atletas.

O resultado final da pliometria é desenvolver força explosiva e reações mais rápidas baseadas na melhora da reatividade do Sistema Nervoso Central (SNC). Portanto, para os esportes que envolvem a contração excêntrica, este tipo de metódo de treinamento contribuirá muito para o desenvolvimento do atleta.

Pensando agora o Treinamento Funcional existe um grande movimento por parte da mídia, relacionada ao mundo fitness, sobre as possibilidades que este tipo de treinamento pode oferecer aos seus praticantes. Mas é necessário deixar bem claro que este tipo de ginástica existe há muitos anos. Portanto, não pode ser uma propriedade de uma marca ou algo parecido como se tem habitualmente visto pelos ambientes das academias ou eventos sobre atividades físicas.

O treino funcional somente atinge seus objetivos quando sua prática torna-se funcional para o praticante, ou seja, para o corredor, seja ele de provas rápidas ou longas deve proporcionar estabilidade e potência. Isto quer dizer que a especificidade torna o treino funcional, e não que todo o exercício serve para o corredor.

Os materiais que são utilizados durantes estas aulas são as Bolas Suíças (também conhecidas como Fit ball, ou então como Bola Bobath - originário da fisioterapia), as pranchas de equilíbrio, os bancos de diferentes alturas (também utilizando "steps" para a realização dos exercícios), as Medicine Balls, Kettlebells, elásticos, entre outros aparelhos. É inegável que a utilização destes equipamentos favorecem o desenvolvimento de força, equilíbrio, coordenação, flexibilidade e propriocepção, mas como em qualquer outra prática física atingem determinado platô de treinamento. O que vai contar de diferencial é a criatividade com o qual o profissional habilitado tende a trabalhar com o seu aluno e/ou atleta.

No treino personalizado, a utilização de práticas funcionais e pliométricas estão presentes, pois os objetivos são melhor direcionados. Entretanto, na academia, as aulas de ginástica funcional visam outra perspectiva. Melhor explicando, quando um aluno ou atleta chega até mim e deseja ter uma melhor performance em determinada prática esportiva, isto já representa um objetivo bem direcionado. Na academia, a definição do corpo - seja no aumento da composição corporal, ou na redução da mesma - visando a estética em primeiro lugar trata-se de um objetivo mais amplo e que depende de diversos fatores, sendo que o treino funcional não poderá suprir todos eles.

Isto não quer dizer que na academia não seja possível buscar uma melhor performance, mas as aulas oferecidas são mais genéricas e não tão direcionadas a determinados objetivos. Quem tem objetivos já determinados não pode exceder em práticas que possivelmente não servirão para melhorar seu desempenho no esporte.

Semana passada, lendo o blog do professor Denilson Costa, do Rio de Janeiro, que abordou o tema do treino funcional com bastante propriedade. E faço minha a opinião deste profissional. Falta de orientação específica para treinamento específico de atletas de alto rendimento e a pressão que o mercado do fitness impõe para os seus consumidores faz com que a onda do treinamento funcional torne-se uma moda nas academias. Acontece que este tipo de treino existe há milênios e não é tão novidade assim, pois trata-se de uma prática ginástica.

A orientação que dou para os meus atletas e alunos é a seguinte: "Pensem e vivenciem suas atividades durante seus treinos. Não façam da atividade física uma prática alienante. Se algo não combina é porque necessita de reformulação. Fazer por fazer não irá trazer benefícios úteis para o seu histórico esportivo".

Abraço a todos e bons treinos!


BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS

BOMPA, T. O. Treinamento de potência para o esporte. Phorte. São Paulo, 2004.
COSTA, D. Blog Força Pura. Disponível em: http://dcpurepower.blogspot.com/2009/06/contextualizando-o-treinamento.html?showComment=1245073823478#c3344931485118513546 Acesso em: 05 jun. 2009.