Treinar o corpo não basta. É preciso treinar a mente também, portanto leia!
sexta-feira, 7 de agosto de 2009
DOPING NO ATLETISMO
Prezados,
Este é apenas um extra, já que resolvi escrever de 15 em 15 dias, mas não podia deixar passar em branco o que está acontecendo com o atletismo brasileiro, ainda mais com o pessoal da cidade de Presidente Prudente/SP.
Felizmente eu pude conhecer pessoalmente todos os profissionais (atletas, técnicos e o fisiologista) envolvidos neste acontecimento. Sou filho da UNESP, me formei em Educação Física em Presidente Prudente, local que tive a oportunidade de conhecer e aprender a trabalhar com atletismo. O resultado disso foi ter um atleta no circuito Paraolímpico - atual recordista brasileiro nos 100m na categoria T35.
Mas muitos estão falando de coisas que nem sequer sabem como realmente funcionam. O campus da UNESP de Presidente Prudente é polo de atletismo no estado de São Paulo e do Brasil também. O técnico da seleção brasileira, o fisioterapeuta e outros profissionais são de lá também, e sempre houve seriedade nos trabalhos realizados com os atletas. Pedro Balikian Jr. foi meu professor, assim como Jayme Netto, e posso dizer que conheço a seriedade com que esses profissionais trabalham. Acredito em erros, e todos nós estamos sujeitos a isso.
O uso de substâncias sintéticas são presentes no esporte de alto nível, e muitos comentários postados aqui são infundados. Se existem atletas nesta comunidade - atletas de alto nível - os mesmos saberão o que estou querendo transmitir. A carga de trabalho durante a preparação de base e específica é muito intensa, poucos conseguem se recuperar somente durmindo e se alimentando. Não é segredo que essas substâncias são usadas na recuperação...
Portanto, nada foi feito com ingenuidade. Acho melhor aguardar e ouvir ambas as partes... Pois participei de vários procedimentos - avaliações e treinamentos em atletas - e nunca ouvi sequer um comentário sobre dopagem em excesso, pelo contrário, ouvi falar que sem treino não adianta se dopar. O próprio Lauter Nogueira disse na mídia alienante globalística que o ganho é pequeno - não menosprezando o professor Lauter, que por sinal já foi em Presidente Prudente ver como funciona os treinamentos de atletas.
Que tal refletir sobre o assunto?
Abraço a todos!
sábado, 1 de agosto de 2009
E VAMOS PARA O SEGUNDO SEMESTRE DE 2009...
Fim das férias!!!
Saudações prezados,
Depois de um longo tempo sem postar qualquer informação, trago desta vez algumas reflexões sobre as principais competições que ocorreram no mês passado (julho). Primeiramente, quero citar sobre a Golden League, sendo que o campeão deste evento fatura $1.000.000,00 em barras de ouro - são 6 etapas ao todo. Quero destacar o evento do Meeting Areva realizado em Paris, tendo como atrações masculinas:
Usain Bolt - Jamaica - 9'79" nos 100 metros rasos;
Jeremy Wariner - Estados Unidos - 45'28" nos 400 metros rasos;
Kenenisa Bekele - Etiópia - 7'28'64" nos 3.000 metros;
Dexter Faulk - Estados Unidos - 13'14" nos 110 metros com barreiras;
Andreas Thorkildsen - Noruega - 88,03 metros no lançamento de dardo.
Já as atrações femininas ficaram por conta de:
Kerron Stewart - Jamaica - 10'99" nos 100 metros rasos;
Sanya Richards - Estados Unidos - 49'34" nos 400 metros rasos;
Dawn Harper - Estados Unidos - 12'68" nos 100 metros com barreiras;
Blanka Vlasic - Croácia - 1,99 metros no salto em altura;
Elena Isinbaeva - Rússia - 4,65 metros no salto com vara.
Para a nossa felicidade tivemos dois representantes tupiniquins:
Jadel Gregório - 17,12 metros no salto triplo - conquistando a segunda colocação da competição;
Fabiana Murer - 4,45 metros no salto com vara - conquistando a quinta colocação na competição.
Também tivemos no mês de julho o Tour de France, competição que percorre a França totalizando 3.445 km - realmente é de impressionar! Além da distância a competição ocorre por cerca de 21 dias e são enfrentadas montanhas de até 2.473 metros - haja pernas! O grande campeão foi sem sombra de dúvidas Alberto Contador - Espanha - 85h48'35" que demonstrou ser um atleta de extrema força (tantos nas escaladas, quanto na prova de contra-relógio individual) e tendo a impressionante marca de velocidade média de 40,15 km/h no geral da prova.
Por fim, temos o Mundial de Esporte Aquáticos que aconteceu em Roma - Itália - e vou citar apenas a participação brasileira que conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, participou de 18 finais na natação, obteve um recorde mundial, nove recordes do campeonato, seis tempos das Américas e 32 novas marcas sul-americanas. O destaque ficou por conta de César Cielo Filho, com os tempos de 21'08" nos 50 metros livre e 46'91" nos 100 metros livre, batendo também o recorde da prova e o recorde mundial respectivamente.
Mas o que eu quero com essas informações transmitir para vocês? Todos esses atletas apresentam marcas impressionantes alcançadas... Mas como alcançá-las? Disciplina, determinação, foco, paciência. E a genética também conta? Sem sobra de dúvidas. Mas que relação isso tem haver com o leitor deste post?
Todos nós possuímos marcas que desejamos alcançar, sejam elas na prática esportiva sistematizada, ou na simples quebra de uma marca pessoal - apenas com o propósito de superação. Para isto, os fatores já mencionados (disciplina, determinação, foco, genética, entre outros...) fazem a diferença para aqueles que querem atingir seus objetivos. Não adianta querer se superar sem estar preparado para isso!
Tenho ouvido muito de meus alunos que visam a superação de marcas em tão pouco tempo, e o que eu digo a eles é que parem de ser tão ansiosos. A preparação para a superação - de até marcas pessoais - se faz com paciência e determinação, aliando a disciplina de treinos. O imediatismo praticamente atrapalha a construção de um corpo que supere suas próprias marcas.
Na ciência do treinamento esportivo existem princípios que não podem ser ignorados. Estes princípios são constituições de um todo que é dividido em etapas, não se pode simplesmente pulá-las acreditando que podem alcançar resultados superadores.
Portanto reflitam sobre suas ações em seus treinos e respeitem seus limites dentro de cada etapa. Ao respeitar a construção do sucesso, o mesmo será inevitável. Nosso corpo é uma máquina perfeita, mas que necessita de tempo para determinada adaptação. Então chega de conversa e vai treinar!!!
Abraço a todos e até breve!
Saudações prezados,
Depois de um longo tempo sem postar qualquer informação, trago desta vez algumas reflexões sobre as principais competições que ocorreram no mês passado (julho). Primeiramente, quero citar sobre a Golden League, sendo que o campeão deste evento fatura $1.000.000,00 em barras de ouro - são 6 etapas ao todo. Quero destacar o evento do Meeting Areva realizado em Paris, tendo como atrações masculinas:
Usain Bolt - Jamaica - 9'79" nos 100 metros rasos;
Jeremy Wariner - Estados Unidos - 45'28" nos 400 metros rasos;
Kenenisa Bekele - Etiópia - 7'28'64" nos 3.000 metros;
Dexter Faulk - Estados Unidos - 13'14" nos 110 metros com barreiras;
Andreas Thorkildsen - Noruega - 88,03 metros no lançamento de dardo.
Já as atrações femininas ficaram por conta de:
Kerron Stewart - Jamaica - 10'99" nos 100 metros rasos;
Sanya Richards - Estados Unidos - 49'34" nos 400 metros rasos;
Dawn Harper - Estados Unidos - 12'68" nos 100 metros com barreiras;
Blanka Vlasic - Croácia - 1,99 metros no salto em altura;
Elena Isinbaeva - Rússia - 4,65 metros no salto com vara.
Para a nossa felicidade tivemos dois representantes tupiniquins:
Jadel Gregório - 17,12 metros no salto triplo - conquistando a segunda colocação da competição;
Fabiana Murer - 4,45 metros no salto com vara - conquistando a quinta colocação na competição.
Também tivemos no mês de julho o Tour de France, competição que percorre a França totalizando 3.445 km - realmente é de impressionar! Além da distância a competição ocorre por cerca de 21 dias e são enfrentadas montanhas de até 2.473 metros - haja pernas! O grande campeão foi sem sombra de dúvidas Alberto Contador - Espanha - 85h48'35" que demonstrou ser um atleta de extrema força (tantos nas escaladas, quanto na prova de contra-relógio individual) e tendo a impressionante marca de velocidade média de 40,15 km/h no geral da prova.
Por fim, temos o Mundial de Esporte Aquáticos que aconteceu em Roma - Itália - e vou citar apenas a participação brasileira que conquistou duas medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, participou de 18 finais na natação, obteve um recorde mundial, nove recordes do campeonato, seis tempos das Américas e 32 novas marcas sul-americanas. O destaque ficou por conta de César Cielo Filho, com os tempos de 21'08" nos 50 metros livre e 46'91" nos 100 metros livre, batendo também o recorde da prova e o recorde mundial respectivamente.
Mas o que eu quero com essas informações transmitir para vocês? Todos esses atletas apresentam marcas impressionantes alcançadas... Mas como alcançá-las? Disciplina, determinação, foco, paciência. E a genética também conta? Sem sobra de dúvidas. Mas que relação isso tem haver com o leitor deste post?
Todos nós possuímos marcas que desejamos alcançar, sejam elas na prática esportiva sistematizada, ou na simples quebra de uma marca pessoal - apenas com o propósito de superação. Para isto, os fatores já mencionados (disciplina, determinação, foco, genética, entre outros...) fazem a diferença para aqueles que querem atingir seus objetivos. Não adianta querer se superar sem estar preparado para isso!
Tenho ouvido muito de meus alunos que visam a superação de marcas em tão pouco tempo, e o que eu digo a eles é que parem de ser tão ansiosos. A preparação para a superação - de até marcas pessoais - se faz com paciência e determinação, aliando a disciplina de treinos. O imediatismo praticamente atrapalha a construção de um corpo que supere suas próprias marcas.
Na ciência do treinamento esportivo existem princípios que não podem ser ignorados. Estes princípios são constituições de um todo que é dividido em etapas, não se pode simplesmente pulá-las acreditando que podem alcançar resultados superadores.
Portanto reflitam sobre suas ações em seus treinos e respeitem seus limites dentro de cada etapa. Ao respeitar a construção do sucesso, o mesmo será inevitável. Nosso corpo é uma máquina perfeita, mas que necessita de tempo para determinada adaptação. Então chega de conversa e vai treinar!!!
Abraço a todos e até breve!
domingo, 28 de junho de 2009
CORPO MOTRIZ
Prezados,
A partir de hoje este será o novo nome do blog, "CORPO MOTRIZ". Com certeza alguns de vocês devem questionar o porque esta mudança...
O fato é que existem outros interesses, além do treinamento esportivo, nos quais eu pretendo comentar neste blog. E o movimento humano não se restringe somente ao treinamento, ou então a participações em competições. O movimento humano é presente em nossas vidas desde o nosso nascimento.
Refletir sobre este corpo que se movimenta no mundo é algo que não devemos deixar de lado. Portanto, espero que o blog continue a contribuir com o acúmulo de conhecimento de quem o visita.
O Corpo Motriz procura abranger todos os aspectos do movimento humano, desde suas atividades de vida diária, passando pelas atividades físicas, lazer, treinamento e participação em competições. Então participem e contribuam sobre suas experiências com seus corpos!
Agradeço a atenção de todos, e até breve!
A partir de hoje este será o novo nome do blog, "CORPO MOTRIZ". Com certeza alguns de vocês devem questionar o porque esta mudança...
O fato é que existem outros interesses, além do treinamento esportivo, nos quais eu pretendo comentar neste blog. E o movimento humano não se restringe somente ao treinamento, ou então a participações em competições. O movimento humano é presente em nossas vidas desde o nosso nascimento.
Refletir sobre este corpo que se movimenta no mundo é algo que não devemos deixar de lado. Portanto, espero que o blog continue a contribuir com o acúmulo de conhecimento de quem o visita.
O Corpo Motriz procura abranger todos os aspectos do movimento humano, desde suas atividades de vida diária, passando pelas atividades físicas, lazer, treinamento e participação em competições. Então participem e contribuam sobre suas experiências com seus corpos!
Agradeço a atenção de todos, e até breve!
domingo, 14 de junho de 2009
PLIOMETRIA E TREINAMENTO FUNCIONAL - algumas considerações
Prezados,
Novamente estou em débito com todos vocês seguidores deste blog. Já faz um bom tempo que não contribuo postando algo de interessante sobre o treinamento personalizado, mas vou-me redimir abordando um assunto deveras interessante para todos.

Você é o que você treina!
Com certeza vocês já ouviram esta frase, mas muitas pessoas ainda não tem idéia do peso que representa isso. Acreditar que ao sair da disciplina de treinos e pular etapas, a possibilidade de êxito ao final do treinamento é uma idéia totalmente enganosa.
Portanto, o ideal para melhorar o desempenho atlético é um sistema de treinamento bem organizado. Ou seja, seguir o conceito de periodização (que já foi citado neste blog) favorecerá a sua adaptação às exigências específicas do desporto.
Bompa (2004) cita que um atleta pode ser muito forte, mas não tão potente, e isso pode ser confirmado por outros autores da ciência do treinamento desportivo. Estes ganhos de força somente podem ser transformados em potência através de métodos específicos de treinamento. Nesse caso, apresento para aqueles que não conhecem, o método pliométrico de treinamento.
Talvez você nem saiba, mas já praticou exercícios pliométricos na sua infância, principalmente quando brincava de amarelinha, ou então de elástico ou pula cela. Todas essas brincadeiras envolvem os conceitos da pliometria, que significa um reflexo miotático (ciclo de alongamento-contração). Os primeiros estudos sobre a plimoetria foram realizados por Verkhoshanski entre 1967 e 1968, sendo que ele percebeu que os exercícios aumentavam a potência explosiva dos atletas.
O resultado final da pliometria é desenvolver força explosiva e reações mais rápidas baseadas na melhora da reatividade do Sistema Nervoso Central (SNC). Portanto, para os esportes que envolvem a contração excêntrica, este tipo de metódo de treinamento contribuirá muito para o desenvolvimento do atleta.
Pensando agora o Treinamento Funcional existe um grande movimento por parte da mídia, relacionada ao mundo fitness, sobre as possibilidades que este tipo de treinamento pode oferecer aos seus praticantes. Mas é necessário deixar bem claro que este tipo de ginástica existe há muitos anos. Portanto, não pode ser uma propriedade de uma marca ou algo parecido como se tem habitualmente visto pelos ambientes das academias ou eventos sobre atividades físicas.
O treino funcional somente atinge seus objetivos quando sua prática torna-se funcional para o praticante, ou seja, para o corredor, seja ele de provas rápidas ou longas deve proporcionar estabilidade e potência. Isto quer dizer que a especificidade torna o treino funcional, e não que todo o exercício serve para o corredor.
Os materiais que são utilizados durantes estas aulas são as Bolas Suíças (também conhecidas como Fit ball, ou então como Bola Bobath - originário da fisioterapia), as pranchas de equilíbrio, os bancos de diferentes alturas (também utilizando "steps" para a realização dos exercícios), as Medicine Balls, Kettlebells, elásticos, entre outros aparelhos. É inegável que a utilização destes equipamentos favorecem o desenvolvimento de força, equilíbrio, coordenação, flexibilidade e propriocepção, mas como em qualquer outra prática física atingem determinado platô de treinamento. O que vai contar de diferencial é a criatividade com o qual o profissional habilitado tende a trabalhar com o seu aluno e/ou atleta.
No treino personalizado, a utilização de práticas funcionais e pliométricas estão presentes, pois os objetivos são melhor direcionados. Entretanto, na academia, as aulas de ginástica funcional visam outra perspectiva. Melhor explicando, quando um aluno ou atleta chega até mim e deseja ter uma melhor performance em determinada prática esportiva, isto já representa um objetivo bem direcionado. Na academia, a definição do corpo - seja no aumento da composição corporal, ou na redução da mesma - visando a estética em primeiro lugar trata-se de um objetivo mais amplo e que depende de diversos fatores, sendo que o treino funcional não poderá suprir todos eles.
Isto não quer dizer que na academia não seja possível buscar uma melhor performance, mas as aulas oferecidas são mais genéricas e não tão direcionadas a determinados objetivos. Quem tem objetivos já determinados não pode exceder em práticas que possivelmente não servirão para melhorar seu desempenho no esporte.
Semana passada, lendo o blog do professor Denilson Costa, do Rio de Janeiro, que abordou o tema do treino funcional com bastante propriedade. E faço minha a opinião deste profissional. Falta de orientação específica para treinamento específico de atletas de alto rendimento e a pressão que o mercado do fitness impõe para os seus consumidores faz com que a onda do treinamento funcional torne-se uma moda nas academias. Acontece que este tipo de treino existe há milênios e não é tão novidade assim, pois trata-se de uma prática ginástica.
A orientação que dou para os meus atletas e alunos é a seguinte: "Pensem e vivenciem suas atividades durante seus treinos. Não façam da atividade física uma prática alienante. Se algo não combina é porque necessita de reformulação. Fazer por fazer não irá trazer benefícios úteis para o seu histórico esportivo".
Abraço a todos e bons treinos!
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS
BOMPA, T. O. Treinamento de potência para o esporte. Phorte. São Paulo, 2004.
COSTA, D. Blog Força Pura. Disponível em: http://dcpurepower.blogspot.com/2009/06/contextualizando-o-treinamento.html?showComment=1245073823478#c3344931485118513546 Acesso em: 05 jun. 2009.
Novamente estou em débito com todos vocês seguidores deste blog. Já faz um bom tempo que não contribuo postando algo de interessante sobre o treinamento personalizado, mas vou-me redimir abordando um assunto deveras interessante para todos.

Você é o que você treina!
Com certeza vocês já ouviram esta frase, mas muitas pessoas ainda não tem idéia do peso que representa isso. Acreditar que ao sair da disciplina de treinos e pular etapas, a possibilidade de êxito ao final do treinamento é uma idéia totalmente enganosa.
Portanto, o ideal para melhorar o desempenho atlético é um sistema de treinamento bem organizado. Ou seja, seguir o conceito de periodização (que já foi citado neste blog) favorecerá a sua adaptação às exigências específicas do desporto.
Bompa (2004) cita que um atleta pode ser muito forte, mas não tão potente, e isso pode ser confirmado por outros autores da ciência do treinamento desportivo. Estes ganhos de força somente podem ser transformados em potência através de métodos específicos de treinamento. Nesse caso, apresento para aqueles que não conhecem, o método pliométrico de treinamento.
Talvez você nem saiba, mas já praticou exercícios pliométricos na sua infância, principalmente quando brincava de amarelinha, ou então de elástico ou pula cela. Todas essas brincadeiras envolvem os conceitos da pliometria, que significa um reflexo miotático (ciclo de alongamento-contração). Os primeiros estudos sobre a plimoetria foram realizados por Verkhoshanski entre 1967 e 1968, sendo que ele percebeu que os exercícios aumentavam a potência explosiva dos atletas.
O resultado final da pliometria é desenvolver força explosiva e reações mais rápidas baseadas na melhora da reatividade do Sistema Nervoso Central (SNC). Portanto, para os esportes que envolvem a contração excêntrica, este tipo de metódo de treinamento contribuirá muito para o desenvolvimento do atleta.
Pensando agora o Treinamento Funcional existe um grande movimento por parte da mídia, relacionada ao mundo fitness, sobre as possibilidades que este tipo de treinamento pode oferecer aos seus praticantes. Mas é necessário deixar bem claro que este tipo de ginástica existe há muitos anos. Portanto, não pode ser uma propriedade de uma marca ou algo parecido como se tem habitualmente visto pelos ambientes das academias ou eventos sobre atividades físicas.
O treino funcional somente atinge seus objetivos quando sua prática torna-se funcional para o praticante, ou seja, para o corredor, seja ele de provas rápidas ou longas deve proporcionar estabilidade e potência. Isto quer dizer que a especificidade torna o treino funcional, e não que todo o exercício serve para o corredor.
Os materiais que são utilizados durantes estas aulas são as Bolas Suíças (também conhecidas como Fit ball, ou então como Bola Bobath - originário da fisioterapia), as pranchas de equilíbrio, os bancos de diferentes alturas (também utilizando "steps" para a realização dos exercícios), as Medicine Balls, Kettlebells, elásticos, entre outros aparelhos. É inegável que a utilização destes equipamentos favorecem o desenvolvimento de força, equilíbrio, coordenação, flexibilidade e propriocepção, mas como em qualquer outra prática física atingem determinado platô de treinamento. O que vai contar de diferencial é a criatividade com o qual o profissional habilitado tende a trabalhar com o seu aluno e/ou atleta.
No treino personalizado, a utilização de práticas funcionais e pliométricas estão presentes, pois os objetivos são melhor direcionados. Entretanto, na academia, as aulas de ginástica funcional visam outra perspectiva. Melhor explicando, quando um aluno ou atleta chega até mim e deseja ter uma melhor performance em determinada prática esportiva, isto já representa um objetivo bem direcionado. Na academia, a definição do corpo - seja no aumento da composição corporal, ou na redução da mesma - visando a estética em primeiro lugar trata-se de um objetivo mais amplo e que depende de diversos fatores, sendo que o treino funcional não poderá suprir todos eles.
Isto não quer dizer que na academia não seja possível buscar uma melhor performance, mas as aulas oferecidas são mais genéricas e não tão direcionadas a determinados objetivos. Quem tem objetivos já determinados não pode exceder em práticas que possivelmente não servirão para melhorar seu desempenho no esporte.
Semana passada, lendo o blog do professor Denilson Costa, do Rio de Janeiro, que abordou o tema do treino funcional com bastante propriedade. E faço minha a opinião deste profissional. Falta de orientação específica para treinamento específico de atletas de alto rendimento e a pressão que o mercado do fitness impõe para os seus consumidores faz com que a onda do treinamento funcional torne-se uma moda nas academias. Acontece que este tipo de treino existe há milênios e não é tão novidade assim, pois trata-se de uma prática ginástica.
A orientação que dou para os meus atletas e alunos é a seguinte: "Pensem e vivenciem suas atividades durante seus treinos. Não façam da atividade física uma prática alienante. Se algo não combina é porque necessita de reformulação. Fazer por fazer não irá trazer benefícios úteis para o seu histórico esportivo".
Abraço a todos e bons treinos!
BIBLIOGRAFIAS CONSULTADAS
BOMPA, T. O. Treinamento de potência para o esporte. Phorte. São Paulo, 2004.
COSTA, D. Blog Força Pura. Disponível em: http://dcpurepower.blogspot.com/2009/06/contextualizando-o-treinamento.html?showComment=1245073823478#c3344931485118513546 Acesso em: 05 jun. 2009.
terça-feira, 21 de abril de 2009
LIMIAR VENTILATÓRIO E SUA UTILIDADE NA PRESCRIÇÃO DE EXERCÍCIOS DE RESISTÊNCIA AERÓBICA
Saudações Pessoas,
Quero pedir desculpas a todos que acompanham este blog, pois neste final de mês (abril) fiquei muito atribulado com o meu trabalho e a preparação de alguns atletas, o que demandou muito tempo do meu dia. Mas agora a situação está normalizada e novamente trarei mais informações para auxiliá-los em seus treinos. Tenho recebido muitos recados a respeito da especificidade do blog e de sua qualidade sobre as matérias postadas. Aproveito para agradecer os elogios recebidos, pois através destes comentários estarei direcionando os meus esforços em prol do desenvolvimento da área de treinamento esportivo e afins. Mais uma vez obrigado a todos os que acompanham o blog.
Nesta semana resolvi trazer um tema que tem continuidade com a planificação do treinamento esportivo. Trata-se do limiar ventilatório. Mas o que é este limiar?
Simplificadamente serve de parâmetro de capacidade e de referência para a prescrição de treinamento em exercícios de resistência aeróbica. A literatura científica afirma que a avaliação da aptidão física é fundamental para aqueles que visam atingir o auge da forma física em momento oportuno. Sendo assim, a aptidão física cardiorrespiratória pode ser quantificada de maneira precisa por testes de potência aeróbica, também denominados de ergoespirométricos.
Esta terminologia de limiar ventilatório (LV) foi proposta por dois pesquisadores em 1964 (Wasserman e McIlroy) com o intuito de determinar, de forma indireta (não invasiva), a intensidade de esforço em que o lactato no sangue sofre elevação em relação ao valor de repouso, durante teste de esforço progressivo. A formação do ácido láctico proveniente do metabolismo anaeróbico é importante por permitir a manutenção da atividade física durante o exercício intenso, ou seja, em seres humanos a concentração sanguínea de lactato aumenta exponencialmente com o exercício de intensidade.
Para o atleta entender como funciona isso, o limiar anaeróbio é determinado por meio das alterações ventilatórias (hiperventilação pulmonar, aumento da fração expirada de oxigênio, aumento das trocas gasosas - simplificadamente). Portanto quando estamos ofegantes durante a atividade de alta intensidade, provavelmente teremos atingido o limiar ventilatório. Entretanto, alguns indivíduos com doença pulmonar obstrutiva, obesos, sedentários, fumantes, essas respostas ventilatórias podem não estar presentes, sendo assim prejudicada a identificação do limiar anaeróbio.
Mas para que serve esta avaliação? Com certeza esta é a pergunta que vocês leitores devem estar se questionando. O limiar anaeróbio representa um intensidade de esforço em que ocorre o estado estável do exercício, possibilitando a manutenção do exercício de longa duração. Trata-se não apenas de um índice da aptidão cardiorrespiratória, mas também um importante indicador de intensidade de treinamento aeróbio.
Portanto, meus caros, realizar uma avaliação ergoespirométrica pode ser o indicador que faltavam para vocês atingirem novos objetivos na performance esportiva. Com certeza seus técnicos entrarão num consenso sobre a utilidade desta avaliação. Espero ter colaborado com suas dúvidas. Vou deixar um vídeo que representa como uma pessoa saudável pode ter uma melhor tolerância a acidose em situações de estresse físico.
Abraço a todos e bons treinos!
Quero pedir desculpas a todos que acompanham este blog, pois neste final de mês (abril) fiquei muito atribulado com o meu trabalho e a preparação de alguns atletas, o que demandou muito tempo do meu dia. Mas agora a situação está normalizada e novamente trarei mais informações para auxiliá-los em seus treinos. Tenho recebido muitos recados a respeito da especificidade do blog e de sua qualidade sobre as matérias postadas. Aproveito para agradecer os elogios recebidos, pois através destes comentários estarei direcionando os meus esforços em prol do desenvolvimento da área de treinamento esportivo e afins. Mais uma vez obrigado a todos os que acompanham o blog.
Nesta semana resolvi trazer um tema que tem continuidade com a planificação do treinamento esportivo. Trata-se do limiar ventilatório. Mas o que é este limiar?
Simplificadamente serve de parâmetro de capacidade e de referência para a prescrição de treinamento em exercícios de resistência aeróbica. A literatura científica afirma que a avaliação da aptidão física é fundamental para aqueles que visam atingir o auge da forma física em momento oportuno. Sendo assim, a aptidão física cardiorrespiratória pode ser quantificada de maneira precisa por testes de potência aeróbica, também denominados de ergoespirométricos.
Esta terminologia de limiar ventilatório (LV) foi proposta por dois pesquisadores em 1964 (Wasserman e McIlroy) com o intuito de determinar, de forma indireta (não invasiva), a intensidade de esforço em que o lactato no sangue sofre elevação em relação ao valor de repouso, durante teste de esforço progressivo. A formação do ácido láctico proveniente do metabolismo anaeróbico é importante por permitir a manutenção da atividade física durante o exercício intenso, ou seja, em seres humanos a concentração sanguínea de lactato aumenta exponencialmente com o exercício de intensidade.
Para o atleta entender como funciona isso, o limiar anaeróbio é determinado por meio das alterações ventilatórias (hiperventilação pulmonar, aumento da fração expirada de oxigênio, aumento das trocas gasosas - simplificadamente). Portanto quando estamos ofegantes durante a atividade de alta intensidade, provavelmente teremos atingido o limiar ventilatório. Entretanto, alguns indivíduos com doença pulmonar obstrutiva, obesos, sedentários, fumantes, essas respostas ventilatórias podem não estar presentes, sendo assim prejudicada a identificação do limiar anaeróbio.
Mas para que serve esta avaliação? Com certeza esta é a pergunta que vocês leitores devem estar se questionando. O limiar anaeróbio representa um intensidade de esforço em que ocorre o estado estável do exercício, possibilitando a manutenção do exercício de longa duração. Trata-se não apenas de um índice da aptidão cardiorrespiratória, mas também um importante indicador de intensidade de treinamento aeróbio.
Portanto, meus caros, realizar uma avaliação ergoespirométrica pode ser o indicador que faltavam para vocês atingirem novos objetivos na performance esportiva. Com certeza seus técnicos entrarão num consenso sobre a utilidade desta avaliação. Espero ter colaborado com suas dúvidas. Vou deixar um vídeo que representa como uma pessoa saudável pode ter uma melhor tolerância a acidose em situações de estresse físico.
Abraço a todos e bons treinos!
sábado, 4 de abril de 2009
MELHOR APROVEITAMENTO DO TREINAMENTO
Olá amigos,
Assim como eu havia dito, neste tópico trataremos do tema sobre como otimizar e quantificar a carga de treinamento. Lembrando a todos que estas informações são genéricas e não devem ser seguidas a risca. O blog tem a intenção de informar sobre os processos do treinamento esportivo e não treinar as pessoas através dele. Caso queiram maiores orientações procurem um profissional habilitado para isso.
Um dos desafios na montagem de programas de treino é justamente o fato de como otimizar a utilização de sobrecargas e de recuperação no atleta. O ganho máximo do desempenho é o produto final, mas a questão é: Existe uma fórmula ideal para a aplicação de cargas e de períodos de recuperação para se atingir o máximo desempenho?
Este tipo de questionamento dificilmente encontrará resposta na literatura científica e depende muito mais da experiência do técnico e de sua intuição na predição de programas de treinamento. A planificação do treinamento é uma das saídas para que as combinações ótimas de sobrecarga e recuperação possam acontecer com segurança.
Existem exames que podem afirmar se o treinamento e benéfico ou não para a performance do atleta. Estes exames são invasivos mas apresentam resultados que podem ser usados como referências para a aplicação de sobrecargas e recuperações ótimas.
Analisar a relação entre Cortisol e Testosterona pode ser uma delas. Isto porque a Testosterona é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso organismo e está ligado diretamente ao ganho de massa muscular e redução da gordura corporal, estimulando o metabolismo favorecendo a utilização do substrato lipídico. De modo simplificado, a testosterona atua no organismo através da ação anabólica, juntamente com o Hormônio do Crescimento (hGH) e a Insulina, favorecendo a síntese protéica sendo essencial para o ganho de massa muscular. Já o hGH revitaliza o sistema imunológico, e estimula a ação anti-catabólica do tecido muscular, e por fim a Insulina é o meio de transporte de aminoácidos e glicose para dentro das células.
O Cortisol possui a ação contrária a Testosterona, pois ele decompõe o tecido muscular. Normalmente o Cortisol é liberado em situações de grande estresse físico e mental e alta temperatura, sendo caracterizado como principal hormônio catabólico. Apesar disso, o Cortisol controla a reação inflamatória do organismo e a quantidade de glicose no sangue durante os períodos de estresse.
Sendo assim, a relação entre estes hormônios pode ser um "termômetro' a respeito da predição de volume e intensidade de exercícios físicos. Num primeiro momento, utilizar-se de modelos matemáticos na organização dos treinos e períodos de treinamento, pode ser um boa opção na determinação do equilíbrio ótimo de sobrecarga e recuperação durantes os mesociclos.
Isto é apenas a ponta de um iceberg, pois há muitas áreas do treinamento esportivo que necessitam de pesquisas mais profundas sobre como quantificar o treinamento. Em minha metodologia de treino procuro quantificar as sessões de treinamento de diferentes durações e intensidades, nas quais sessões de curta duração e alta intensidade relacionam-se com sessões de longa duração e baixa intensidade.
Até a próxima!
Assim como eu havia dito, neste tópico trataremos do tema sobre como otimizar e quantificar a carga de treinamento. Lembrando a todos que estas informações são genéricas e não devem ser seguidas a risca. O blog tem a intenção de informar sobre os processos do treinamento esportivo e não treinar as pessoas através dele. Caso queiram maiores orientações procurem um profissional habilitado para isso.
Um dos desafios na montagem de programas de treino é justamente o fato de como otimizar a utilização de sobrecargas e de recuperação no atleta. O ganho máximo do desempenho é o produto final, mas a questão é: Existe uma fórmula ideal para a aplicação de cargas e de períodos de recuperação para se atingir o máximo desempenho?
Este tipo de questionamento dificilmente encontrará resposta na literatura científica e depende muito mais da experiência do técnico e de sua intuição na predição de programas de treinamento. A planificação do treinamento é uma das saídas para que as combinações ótimas de sobrecarga e recuperação possam acontecer com segurança.
Existem exames que podem afirmar se o treinamento e benéfico ou não para a performance do atleta. Estes exames são invasivos mas apresentam resultados que podem ser usados como referências para a aplicação de sobrecargas e recuperações ótimas.
Analisar a relação entre Cortisol e Testosterona pode ser uma delas. Isto porque a Testosterona é um hormônio produzido naturalmente pelo nosso organismo e está ligado diretamente ao ganho de massa muscular e redução da gordura corporal, estimulando o metabolismo favorecendo a utilização do substrato lipídico. De modo simplificado, a testosterona atua no organismo através da ação anabólica, juntamente com o Hormônio do Crescimento (hGH) e a Insulina, favorecendo a síntese protéica sendo essencial para o ganho de massa muscular. Já o hGH revitaliza o sistema imunológico, e estimula a ação anti-catabólica do tecido muscular, e por fim a Insulina é o meio de transporte de aminoácidos e glicose para dentro das células.
O Cortisol possui a ação contrária a Testosterona, pois ele decompõe o tecido muscular. Normalmente o Cortisol é liberado em situações de grande estresse físico e mental e alta temperatura, sendo caracterizado como principal hormônio catabólico. Apesar disso, o Cortisol controla a reação inflamatória do organismo e a quantidade de glicose no sangue durante os períodos de estresse.
Sendo assim, a relação entre estes hormônios pode ser um "termômetro' a respeito da predição de volume e intensidade de exercícios físicos. Num primeiro momento, utilizar-se de modelos matemáticos na organização dos treinos e períodos de treinamento, pode ser um boa opção na determinação do equilíbrio ótimo de sobrecarga e recuperação durantes os mesociclos.
Isto é apenas a ponta de um iceberg, pois há muitas áreas do treinamento esportivo que necessitam de pesquisas mais profundas sobre como quantificar o treinamento. Em minha metodologia de treino procuro quantificar as sessões de treinamento de diferentes durações e intensidades, nas quais sessões de curta duração e alta intensidade relacionam-se com sessões de longa duração e baixa intensidade.
Até a próxima!
sábado, 21 de março de 2009
PLANIFICAÇÃO... ALGUMAS REFLEXÕES!
Saudações prezados,
Pensar na planificação automaticamente nos faz pensar em efeitos da sobrecarga e regeneração do organismo. Sabe-se que o exercício promove uma alteração na homeostase do corpo dependendo do estímulo ao qual este sofre. Sendo assim, o exercício resultará num certo nível de fadiga, favorecendo a perda de capacidade de desempenho do atleta.
Após o período de sobrecarga o corpo humano procura restabelecer a homeostase, incluindo o estoque de energia endógena e a síntese da nova proteína. Esta recuperação será plena dependendo do grau de sobrecarga inicial e do deslocamento da homeostase, porém também será influenciado por qualquer carga a mais imposta durante o mesmo período.
Este processo pode superar o nível inicial da capacidade funcional, pois se o mesmo estresse ou carga fosse imposto novamente, a homeostase seria deslocada para um grau menor. Este processo é denominado de supercompensação, sendo que na prática isso significa uma melhoria no desempenho do atleta.
A periodização do treinamento está fundamentada na suposição de que a sobrecarga cumulativa produz um estímulo mais poderoso para uma subsequente supercompensação durante a fase de regeneração prolongada.
Rowbottom (2003) afirma que parecem ser três as suposições que vêm da análise científica racional da periodização. Primeiro, um aumento na carga de treinamento produziria um aumento na adaptação ou no rendimento mesmo em atletas bem-treinados. Segundo, haveria um ponto no qual essa carga aumentada não poderia ser tolerada por muito tempo ou no qual a adaptação cessaria de ocorrer. Terceiro, um período executado de recuperação ou descanso deveria resultar em um aumento na adaptação e consequentemente em um desempenho melhorado.
Em diversos estudos tem-se observado melhoria de desempenho depois dos aumentos a curto prazo na carga de treinamento de atletas já bem-treinados. Geralmente isso é alcançado pela introdução de intervalo de treinamento de alta intensidade dentro do programa de treinamento aeróbio. Este treinamento de intensidade varia de 4 a 6 semanas e seus resultados são significativos, atingindo uma margem de até 2,5% de aumento na performance do atleta. Uma estrutura de treino no mesociclo tem o potencial de produzir melhorias significativas no desempenho, para isto o treinador deverá avaliar a necessidade do atleta e qual o estímulo deverá sugerir.
Uma observação é importante citar. Aumentos constantes resultam em queda do desempenho, portanto é importante não manter o treinamento por períodos indefinidos. O atleta tende a atingir um platô de desenvolvimento e isso tem de ser respeitado.
Outro fator importante está na prática do Tapering ou treinamento reduzido. Diversos estudos confirmam o amplo benefício desta prática em vários tipos de esportes. Na prática o volume de treinamento precisa ser substancialmente reduzido para se ter algum efeito observável, enquanto a intensidade precisa ser mantida para trazer melhorias no desempenho.
Essa prática é realizada por diversos treinadores na conclusão de um período de treinamento antes das competições principais. Em essência, o plano de periodização proposto de forma sistemática e rotineira prevê períodos de treinamento reduzido por todo o programa na conclusão de cada mesociclo.
O tema sobre planificação é extenso e segue diversas linhas de raciocínio. O que estou expondo a vocês é a metodologia que eu utilizo nos meus treinamentos, e nos treinamentos de meus clientes e atletas. Ainda existem mais algumas observações que deixarei para a próxima postagem, sendo assim aguardo comentários e críticas sobre esta proposta.
Na próxima postagem o tema será sobre como otimizar a sobrecarga do treinamento, quantificação, e indicadores de sobrecarga e recuperação. Abraço a todos e boa semana!
Pensar na planificação automaticamente nos faz pensar em efeitos da sobrecarga e regeneração do organismo. Sabe-se que o exercício promove uma alteração na homeostase do corpo dependendo do estímulo ao qual este sofre. Sendo assim, o exercício resultará num certo nível de fadiga, favorecendo a perda de capacidade de desempenho do atleta.
Após o período de sobrecarga o corpo humano procura restabelecer a homeostase, incluindo o estoque de energia endógena e a síntese da nova proteína. Esta recuperação será plena dependendo do grau de sobrecarga inicial e do deslocamento da homeostase, porém também será influenciado por qualquer carga a mais imposta durante o mesmo período.
Este processo pode superar o nível inicial da capacidade funcional, pois se o mesmo estresse ou carga fosse imposto novamente, a homeostase seria deslocada para um grau menor. Este processo é denominado de supercompensação, sendo que na prática isso significa uma melhoria no desempenho do atleta.
A periodização do treinamento está fundamentada na suposição de que a sobrecarga cumulativa produz um estímulo mais poderoso para uma subsequente supercompensação durante a fase de regeneração prolongada.
Rowbottom (2003) afirma que parecem ser três as suposições que vêm da análise científica racional da periodização. Primeiro, um aumento na carga de treinamento produziria um aumento na adaptação ou no rendimento mesmo em atletas bem-treinados. Segundo, haveria um ponto no qual essa carga aumentada não poderia ser tolerada por muito tempo ou no qual a adaptação cessaria de ocorrer. Terceiro, um período executado de recuperação ou descanso deveria resultar em um aumento na adaptação e consequentemente em um desempenho melhorado.
Em diversos estudos tem-se observado melhoria de desempenho depois dos aumentos a curto prazo na carga de treinamento de atletas já bem-treinados. Geralmente isso é alcançado pela introdução de intervalo de treinamento de alta intensidade dentro do programa de treinamento aeróbio. Este treinamento de intensidade varia de 4 a 6 semanas e seus resultados são significativos, atingindo uma margem de até 2,5% de aumento na performance do atleta. Uma estrutura de treino no mesociclo tem o potencial de produzir melhorias significativas no desempenho, para isto o treinador deverá avaliar a necessidade do atleta e qual o estímulo deverá sugerir.
Uma observação é importante citar. Aumentos constantes resultam em queda do desempenho, portanto é importante não manter o treinamento por períodos indefinidos. O atleta tende a atingir um platô de desenvolvimento e isso tem de ser respeitado.
Outro fator importante está na prática do Tapering ou treinamento reduzido. Diversos estudos confirmam o amplo benefício desta prática em vários tipos de esportes. Na prática o volume de treinamento precisa ser substancialmente reduzido para se ter algum efeito observável, enquanto a intensidade precisa ser mantida para trazer melhorias no desempenho.
Essa prática é realizada por diversos treinadores na conclusão de um período de treinamento antes das competições principais. Em essência, o plano de periodização proposto de forma sistemática e rotineira prevê períodos de treinamento reduzido por todo o programa na conclusão de cada mesociclo.
O tema sobre planificação é extenso e segue diversas linhas de raciocínio. O que estou expondo a vocês é a metodologia que eu utilizo nos meus treinamentos, e nos treinamentos de meus clientes e atletas. Ainda existem mais algumas observações que deixarei para a próxima postagem, sendo assim aguardo comentários e críticas sobre esta proposta.
Na próxima postagem o tema será sobre como otimizar a sobrecarga do treinamento, quantificação, e indicadores de sobrecarga e recuperação. Abraço a todos e boa semana!
segunda-feira, 9 de março de 2009
CONTINUAÇÃO... PERIODIZAÇÃO E PLANIFICAÇÃO
Saudações pessoas,
Desculpem-me pela demora a postar novas informações, mas tive alguns contratempos que impediram a concretização desta na semana passada. Agora com tudo normalizado vamos ao que interessa.
Durante o intervalo entre esta postagem e a anterior procurei aprofundar um pouco mais na questão da periodização, e resolvi finalizar sobre esta temática trazendo uma discussão dos prós e contras da periodização sugerida por Matveev durante os anos 60, sendo que a mesma é utilizada nos dias atuais.
Já foi dito o quanto a planificação dos treinos pode ser útil a fim de se atingir determinados objetivos com êxito, ou seja, a sistematização do treinamento serve para maximilizar os potenciais físicos e psicológicos do atleta. Mas como estruturar o treino é o grande "X" do problema.
A estrutura sugerida por Matveev (1981) baseia-se em blocos construtores, tendo o treinamento semanal denominado como microciclo, formando outros blocos construtores de unidades discretas denominadas mesociclos - que duram apenas algumas semanas, e por fim, um número de repetidos mesociclos forma o denominado macrociclo. O problema dessas estruturações fica por conta de ignorar os conhecimentos fisiológicos e biológicos individuais dos seres humanos. Isto porque nem todo atleta corresponde a determinado tipo de treino, cada qual possui sua especificidade, o que leva alguns treinadores a cometer erros durante a estruturação de treinos.
Ainda pensando no modelo estruturado por Matveev, Verkhoshansky (1998) faz duras críticas sobre a formulação desta periodização, que teve como base um estudo relativamente breve na preparação de atletas durante os anos 50, sobre apenas três modalidades esportivas (natação, levantamento de peso e atletismo) sendo impossível considerar esta metodologia como universal. Além disso, pela metodologia do professor Matveev, não é possível prever soluções metódicas eficazes para os problemas da preparação especializada para competições e para a preparação física específica de atletas nas diversas disciplinas esportivas.
Isto pode ser mais bem explicado, quando no período preparatório fica restrita somente a construção das bases do atleta e a verificação de sua forma esportiva, enquanto no período de competição são destinadas as mesmas preparações (estabilização, manutenção) compostas por mesociclos de competição e transição, sendo que o nível de treinamento é somente mantido e não desenvolvido. Atualmente o nível de treinamento do atleta é mantido e desenvolvido no período competitivo, ou seja, a buscas por melhores resultados acontece em treino e na competição.
Somente para ter uma idéia da complexidade que é organizar um treinamento de resistência para esportes cíclicos, no período preparatório é aconselhado realizar uma cadeia de mesociclos (adaptação, base com caráter de desenvolvimento, base com caráter de estabilização, base com caráter de choque, preparatório com caráter de controle, polimento e pré-competição) que dentro das suposições de Matveev não cabem dentro de sua forma. Sendo que sua metodologia de preparação esportiva não prediz qual a melhor forma para se realizar tais treinamentos.
Não se pode focar somente em volume e intensidade durante o processo de treinamento esportivo. Existem diversas variáveis que devem ser treinadas durante o processo de desenvolvimento do atleta. Então, estruturar o treinamento garante não somente resultados, mas garante a longevidade esportiva.
Independente das críticas de Verkhoshansky (e que não somente ele, mas Weineck, Gambetta, Bompa, Tschiene, Bondarchuk com Tschiene, Marquez, entre outros), a metodologia do professor Matveev continua em prática. A idéia foi justamente de trazer essa discussão para aqueles que acompanham este blog e possuem opiniões formadas sobre o treinamento esportivo. Pensar sobre a metodologia que utilizamos em nossos treinamentos é algo que devemos fazer constantemente. Se quisermos evolução devemos considerar todos estes parênteses.
A minha proposta de treinamento segue os moldes do professor Matveev (microciclos, mesociclos e macrociclos) para atletas iniciantes, ou seja, tendo em sua estrutura os períodos de preparação – aquisição da forma esportiva, período competitivo – manutenção da forma esportiva, e período transitório – perda temporal da forma esportiva.

A figura acima representa a dinâmica entre volume e intensidade de um ciclo anual de treino proposto pelo professor Matveev.
A relação proposta por Matveev está entre a fase temporal da forma esportiva juntamente com a estruturação dos períodos de treinamento, sendo que, o fundamento está na transferência positiva dos grandes volumes gerais de cargas de trabalho durante o início do treinamento para uma maior especificidade na continuidade do mesmo.
Considerando que a maioria dos atletas amadores não depende única e exclusivamente do esporte para sobreviver (muitos possuem atividades laborais como o estudo, trabalho, entre outros) os microciclos de treinamento são estabelecidos nos moldes semanais, ou seja, durante os 7 dias da semana. Isto acaba facilitando a organização entre a vida cotidiana e a vida esportiva do atleta.
Considerar a especificidade do treino e o nível de preparação do atleta é outro fator importante durante a estruturação dos treinos. A adaptação multilateral do atleta é influenciada diretamente por estímulos unilaterais, que vão provocar uma adaptação concentrada no sentido de preparação geral do atleta.
É nessa hora que o atleta deverá se concentrar em diversos tipos de estímulos para desenvolver suas capacidades técnicas, físicas e específicas (velocidade, força, recuperação, resistência, fatores psicológicos).
O que o atleta deve compreender é que durante a construção das capacidades físicas, as mesmas são divididas em fases de destruição, regeneração e supercompensação. Durante a regeneração o organismo procura se adaptar ao estímulo que recebeu, portanto a fase de regeneração serve para aumentar o nível de treinamento do atleta. Daí dada à importância para o descanso do atleta. Não adianta pegar pesado sempre!
Outro fator fundamental para que esta estruturação possa ter êxito está implicitamente ligada ao período de recuperação. Se a recuperação for equilibrada com o volume de treino realizado haverá um ótimo aproveitamento do estímulo. Se a recuperação for grande demasiada, não ocorrerão as adaptações necessárias no organismo. E por fim, se a recuperação for curta demais, o atleta poderá entrar em overtraining – sobrecarrega o organismo apresentando resultados indesejáveis.
Com relação aos mesociclos, a construção destes não possui bases sólidas na ciência do treinamento – daí as críticas severas a metodologia de estruturação proposta por Matveev – e dependem da experiência técnica para a sua estruturação. Novamente é possível montar ciclos, desta vez mensal, para poder aperfeiçoar os efeitos acumulativos do treinamento.
Tudo isso dependerá também do nível de atividade do atleta, da quantidade e qualidade das cargas de trabalho utilizadas, e da cadência biológica na adaptação destas. A constituição de mesociclos mensais é uma boa oportunidade para aqueles que necessitam deste tipo de organização, como é o caso das mulheres – ciclo menstrual.
As características do mesociclo são semelhantes as do microciclo – devem ser construídas por blocos, mas que tem por finalidade evitar a monotonia, garantir elevados ritmos de desenvolvimento, e obter maior controle sobre as influencias das cargas de treinamento no organismo do atleta.
A tendência atual é estruturar planos de treinamento em torno de um ciclo de treinamento anual. O desempenho e as metas de desenvolvimento podem ser estabelecidos em uma base anual, e os campeonatos será o foco no ano de treinamento.
Na próxima semana continuarei com o tema de planificação, comentando um pouco mais sobre sua especificidade. Também tentarei trazer algo sobre a planificação no Triathlon para amadores. Desejo a todos uma boa semana.
Bons treinos!
REFERÊNCIAS CONSULTADAS
BOMPA, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento.
FARTO, E. R. Estrutura e planificação do treinamento esportivo. http://www.efdeportes.com/
GARRETT JR., W. E. A ciência do exercício e dos esportes.
VERKOSHANSKI, Y. V. Para uma teoria e metodologia científica do treinamento esportivo. A crise da concepção da periodização do treinamento
no esporte de alto nível. http://www.efdeportes.com/
WEINECK, J. Treinamento Ideal.
Desculpem-me pela demora a postar novas informações, mas tive alguns contratempos que impediram a concretização desta na semana passada. Agora com tudo normalizado vamos ao que interessa.
Durante o intervalo entre esta postagem e a anterior procurei aprofundar um pouco mais na questão da periodização, e resolvi finalizar sobre esta temática trazendo uma discussão dos prós e contras da periodização sugerida por Matveev durante os anos 60, sendo que a mesma é utilizada nos dias atuais.
Já foi dito o quanto a planificação dos treinos pode ser útil a fim de se atingir determinados objetivos com êxito, ou seja, a sistematização do treinamento serve para maximilizar os potenciais físicos e psicológicos do atleta. Mas como estruturar o treino é o grande "X" do problema.
A estrutura sugerida por Matveev (1981) baseia-se em blocos construtores, tendo o treinamento semanal denominado como microciclo, formando outros blocos construtores de unidades discretas denominadas mesociclos - que duram apenas algumas semanas, e por fim, um número de repetidos mesociclos forma o denominado macrociclo. O problema dessas estruturações fica por conta de ignorar os conhecimentos fisiológicos e biológicos individuais dos seres humanos. Isto porque nem todo atleta corresponde a determinado tipo de treino, cada qual possui sua especificidade, o que leva alguns treinadores a cometer erros durante a estruturação de treinos.
Ainda pensando no modelo estruturado por Matveev, Verkhoshansky (1998) faz duras críticas sobre a formulação desta periodização, que teve como base um estudo relativamente breve na preparação de atletas durante os anos 50, sobre apenas três modalidades esportivas (natação, levantamento de peso e atletismo) sendo impossível considerar esta metodologia como universal. Além disso, pela metodologia do professor Matveev, não é possível prever soluções metódicas eficazes para os problemas da preparação especializada para competições e para a preparação física específica de atletas nas diversas disciplinas esportivas.
Isto pode ser mais bem explicado, quando no período preparatório fica restrita somente a construção das bases do atleta e a verificação de sua forma esportiva, enquanto no período de competição são destinadas as mesmas preparações (estabilização, manutenção) compostas por mesociclos de competição e transição, sendo que o nível de treinamento é somente mantido e não desenvolvido. Atualmente o nível de treinamento do atleta é mantido e desenvolvido no período competitivo, ou seja, a buscas por melhores resultados acontece em treino e na competição.
Somente para ter uma idéia da complexidade que é organizar um treinamento de resistência para esportes cíclicos, no período preparatório é aconselhado realizar uma cadeia de mesociclos (adaptação, base com caráter de desenvolvimento, base com caráter de estabilização, base com caráter de choque, preparatório com caráter de controle, polimento e pré-competição) que dentro das suposições de Matveev não cabem dentro de sua forma. Sendo que sua metodologia de preparação esportiva não prediz qual a melhor forma para se realizar tais treinamentos.
Não se pode focar somente em volume e intensidade durante o processo de treinamento esportivo. Existem diversas variáveis que devem ser treinadas durante o processo de desenvolvimento do atleta. Então, estruturar o treinamento garante não somente resultados, mas garante a longevidade esportiva.
Independente das críticas de Verkhoshansky (e que não somente ele, mas Weineck, Gambetta, Bompa, Tschiene, Bondarchuk com Tschiene, Marquez, entre outros), a metodologia do professor Matveev continua em prática. A idéia foi justamente de trazer essa discussão para aqueles que acompanham este blog e possuem opiniões formadas sobre o treinamento esportivo. Pensar sobre a metodologia que utilizamos em nossos treinamentos é algo que devemos fazer constantemente. Se quisermos evolução devemos considerar todos estes parênteses.
A minha proposta de treinamento segue os moldes do professor Matveev (microciclos, mesociclos e macrociclos) para atletas iniciantes, ou seja, tendo em sua estrutura os períodos de preparação – aquisição da forma esportiva, período competitivo – manutenção da forma esportiva, e período transitório – perda temporal da forma esportiva.

A figura acima representa a dinâmica entre volume e intensidade de um ciclo anual de treino proposto pelo professor Matveev.
A relação proposta por Matveev está entre a fase temporal da forma esportiva juntamente com a estruturação dos períodos de treinamento, sendo que, o fundamento está na transferência positiva dos grandes volumes gerais de cargas de trabalho durante o início do treinamento para uma maior especificidade na continuidade do mesmo.
Considerando que a maioria dos atletas amadores não depende única e exclusivamente do esporte para sobreviver (muitos possuem atividades laborais como o estudo, trabalho, entre outros) os microciclos de treinamento são estabelecidos nos moldes semanais, ou seja, durante os 7 dias da semana. Isto acaba facilitando a organização entre a vida cotidiana e a vida esportiva do atleta.
Considerar a especificidade do treino e o nível de preparação do atleta é outro fator importante durante a estruturação dos treinos. A adaptação multilateral do atleta é influenciada diretamente por estímulos unilaterais, que vão provocar uma adaptação concentrada no sentido de preparação geral do atleta.
É nessa hora que o atleta deverá se concentrar em diversos tipos de estímulos para desenvolver suas capacidades técnicas, físicas e específicas (velocidade, força, recuperação, resistência, fatores psicológicos).
O que o atleta deve compreender é que durante a construção das capacidades físicas, as mesmas são divididas em fases de destruição, regeneração e supercompensação. Durante a regeneração o organismo procura se adaptar ao estímulo que recebeu, portanto a fase de regeneração serve para aumentar o nível de treinamento do atleta. Daí dada à importância para o descanso do atleta. Não adianta pegar pesado sempre!
Outro fator fundamental para que esta estruturação possa ter êxito está implicitamente ligada ao período de recuperação. Se a recuperação for equilibrada com o volume de treino realizado haverá um ótimo aproveitamento do estímulo. Se a recuperação for grande demasiada, não ocorrerão as adaptações necessárias no organismo. E por fim, se a recuperação for curta demais, o atleta poderá entrar em overtraining – sobrecarrega o organismo apresentando resultados indesejáveis.
Com relação aos mesociclos, a construção destes não possui bases sólidas na ciência do treinamento – daí as críticas severas a metodologia de estruturação proposta por Matveev – e dependem da experiência técnica para a sua estruturação. Novamente é possível montar ciclos, desta vez mensal, para poder aperfeiçoar os efeitos acumulativos do treinamento.
Tudo isso dependerá também do nível de atividade do atleta, da quantidade e qualidade das cargas de trabalho utilizadas, e da cadência biológica na adaptação destas. A constituição de mesociclos mensais é uma boa oportunidade para aqueles que necessitam deste tipo de organização, como é o caso das mulheres – ciclo menstrual.
As características do mesociclo são semelhantes as do microciclo – devem ser construídas por blocos, mas que tem por finalidade evitar a monotonia, garantir elevados ritmos de desenvolvimento, e obter maior controle sobre as influencias das cargas de treinamento no organismo do atleta.
A tendência atual é estruturar planos de treinamento em torno de um ciclo de treinamento anual. O desempenho e as metas de desenvolvimento podem ser estabelecidos em uma base anual, e os campeonatos será o foco no ano de treinamento.
Na próxima semana continuarei com o tema de planificação, comentando um pouco mais sobre sua especificidade. Também tentarei trazer algo sobre a planificação no Triathlon para amadores. Desejo a todos uma boa semana.
Bons treinos!
REFERÊNCIAS CONSULTADAS
BOMPA, T. Periodização: Teoria e Metodologia do Treinamento.
FARTO, E. R. Estrutura e planificação do treinamento esportivo. http://www.efdeportes.com/
GARRETT JR., W. E. A ciência do exercício e dos esportes.
VERKOSHANSKI, Y. V. Para uma teoria e metodologia científica do treinamento esportivo. A crise da concepção da periodização do treinamento
no esporte de alto nível. http://www.efdeportes.com/
WEINECK, J. Treinamento Ideal.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
PERIODIZAÇÃO... CONTINUAÇÃO
Prezados,
Continuando o assunto sobre periodização, este é um tema que sempre traz novas discussões a respeito de metodologias empregadas no treinamento esportivo. A ciência ainda discute qual o melhor método de treinamento esportivo, porém os cientistas do esporte entram num consenso quando cita-se a importância da estruturação do treino para o êxito dentro da prática esportiva.
Do que tenho conhecimento, os sistemas de treinamento atuais foram baseados em estudos da escola russa, começando pelos estudos de Kotov (1917) que basicamente eram divididos em:
- Etapa Geral - desenvolvimento do sistema cardiovascular e respiratório;
- Etapa Preparatória - desenvolvimento da força e resistência muscular; e
- Etapa Específica - preparação para uma modalidade e/ou prova específica.
Sendo assim, muito outros estudiosos do treinamento surgiram com suas concepções. Dentre esses cito o professor Matveev (1965) que apresenta a proposta da concepção da periodização do treinamento. Esta concepção consiste numa estruturação linear e que tem como base os chamados Microciclos, ou seja, o treinamento é composto por microciclos padronizados. Logo em seguida, a construção destes microciclos faz surgir o Mesociclo, que também possui formação linear e padronizada tendo especificidades como características (por exemplo, período de base, preparatório, polimento, recuperação, entre outros). Sendo assim, para completar esta cadeia denomina-se o Macrociclo, que pode ser anual ou pluri-anual.
Estas informações são de conhecimento geral de atletas, tanto de iniciantes, como de avançados. O problema é que este tipo de treinamento não possui bases científicas sólidas, e portanto é questionado no meio acadêmico. Mesmo tendo sua teoria questionada, este tipo de estruturação de treinamento pode ser utilizado em atletas iniciantes, mas que não surti efeitos positivos em atletas de alto-rendimento.
O que eu quero deixar claro para os que acompanham este blog é que a periodização é parte importante durante o processo de planificação de treinos. Sem este tipo de estruturação não é possível avaliar se o atleta apresenta desenvolvimento esportivo ou não. Além disso, deve-se considerar todas as características possíveis do atleta, ou seja, cada atleta possui sua periodização e planificação. Empirismo e improviso não são admitidos nesta fase.
Em breve eu aprofundarei nesta questão, pois é a partir daqui que surgem as concepções de treinamento e o modo como se pode treinar. Caso queiram comentar e acrescentar outras informações sintam-se a vontade.
Abraço a todos e até breve.
Continuando o assunto sobre periodização, este é um tema que sempre traz novas discussões a respeito de metodologias empregadas no treinamento esportivo. A ciência ainda discute qual o melhor método de treinamento esportivo, porém os cientistas do esporte entram num consenso quando cita-se a importância da estruturação do treino para o êxito dentro da prática esportiva.
Do que tenho conhecimento, os sistemas de treinamento atuais foram baseados em estudos da escola russa, começando pelos estudos de Kotov (1917) que basicamente eram divididos em:
- Etapa Geral - desenvolvimento do sistema cardiovascular e respiratório;
- Etapa Preparatória - desenvolvimento da força e resistência muscular; e
- Etapa Específica - preparação para uma modalidade e/ou prova específica.
Sendo assim, muito outros estudiosos do treinamento surgiram com suas concepções. Dentre esses cito o professor Matveev (1965) que apresenta a proposta da concepção da periodização do treinamento. Esta concepção consiste numa estruturação linear e que tem como base os chamados Microciclos, ou seja, o treinamento é composto por microciclos padronizados. Logo em seguida, a construção destes microciclos faz surgir o Mesociclo, que também possui formação linear e padronizada tendo especificidades como características (por exemplo, período de base, preparatório, polimento, recuperação, entre outros). Sendo assim, para completar esta cadeia denomina-se o Macrociclo, que pode ser anual ou pluri-anual.
Estas informações são de conhecimento geral de atletas, tanto de iniciantes, como de avançados. O problema é que este tipo de treinamento não possui bases científicas sólidas, e portanto é questionado no meio acadêmico. Mesmo tendo sua teoria questionada, este tipo de estruturação de treinamento pode ser utilizado em atletas iniciantes, mas que não surti efeitos positivos em atletas de alto-rendimento.
O que eu quero deixar claro para os que acompanham este blog é que a periodização é parte importante durante o processo de planificação de treinos. Sem este tipo de estruturação não é possível avaliar se o atleta apresenta desenvolvimento esportivo ou não. Além disso, deve-se considerar todas as características possíveis do atleta, ou seja, cada atleta possui sua periodização e planificação. Empirismo e improviso não são admitidos nesta fase.
Em breve eu aprofundarei nesta questão, pois é a partir daqui que surgem as concepções de treinamento e o modo como se pode treinar. Caso queiram comentar e acrescentar outras informações sintam-se a vontade.
Abraço a todos e até breve.
domingo, 1 de fevereiro de 2009
PERIODIZAÇÃO
Saudações Caríssimos!
Primeiramente quero agradecer a todos pelas contribuições e postagens neste blog. Fico lisonjeado pela confiança e reconheço o tamanho da minha responsabilidade para com todos os atletas que necessitam de orientação em seus treinamentos. Sendo assim, mais uma vez agradeço a vocês!
Sobre a minha última postagem verifiquei que muitos atletas ficaram com dúvidas a respeito da organização dos seus treinamentos. O importante é que todos já tem traçados determinados objetivos para o ano de 2009, e isto facilita o trabalho de planejamento de treinos.
Também é importante ressaltar que, todas estas informações aqui postadas são generalistas e tem como propósito auxiliar atletas que não possuem qualquer assistência técnica para a prática de seus treinos. Casos específicos necessitam de orientações específicas. Mas isso não descarta a possibilidade de vocês utilizarem estas informações na construção de seus treinos.
Então vamos ao que nos interessa, treinamento!!!
Pensar em periodização de treino é pensar também em princípios de treinamento. E quando se fala em princípios de treinamento temos em mente que são as primeiras coisas que devem ser levadas em consideração para a objetivação eficaz de um programa de treino. Para isto, eu tenho utilizado um autor bastante interessante, que retrata de modo simplificado, a importância da consideração destes princípios.
Maglischo (1999) cita que, para que um programa de treinamento possa ser bem sucedido deve-se levar em consideração os seguintes princípios:
1- Adaptação;
2- Sobrecarga;
3- Progressão;
4- Especificidade.
Todos estes princípios devem ser levados em consideração em quaisquer tipo de treinamentos para esporte de rendimento. Mas o que isto quer dizer?
Quer dizer que, para que o atleta consiga participar de uma prova dentro de sua capacidade máxima, este atleta deve seguir cada etapa dos princípios de treinamento para ter um êxito positivo em suas provas.
Mas o que são estes princípios?
Simplificadamente são os processos pelos quais o atleta em treinamento deve obedecer para alcançar as metas traçadas.
E como treinar sob estes princípios?
Alguns autores citam que a individualidade biológica faz parte dos princípios de treinamento. De fato deve-se considerar as características genéticas dos atletas para cada determinada preparação. Isto é fundamental para quem está iniciando em qualquer esporte. Mas o princípio da adaptação pode se encarregar em parte na construção de um atleta para determinado tipo de prova.
Ao se iniciar uma prática esportiva, ou então, quando se aumenta a demanda do treino, acontece o princípio da adaptação, que como o próprio nome já diz, é o processo de adaptação do organismo a determinada carga de estresse (seja ele fisiológico, metabólico, psicológico, entre outros). Durante este processo de adaptação deve ocorrer:
- a criação da necessidade de mais energia com o treinamento;
- o fornecimento adequado de nutrientes para a construção dos tecidos; e
- o descanso adequado para a construção e reparo dos mesmos tecidos.
O próximo passo fica por conta da sobrecarga. No princípio da sobrecarga o atleta deve ser estimulado de modo a superar suas capacidades já adquiridas com o treinamento anterior. Ou seja, os estímulos devem ser superiores aos que já são impostos usualmente. Este princípio tem uma fácil determinação, porém sua aplicação é complexa e pode comprometer todo um trabalho de base, tendo como resultado as conhecidas lesões e o supertreinamento (overtraining).
A sobrecarga continuará a ter validade até o momento do atleta atingir um nível de adaptação a mesma. A partir de então entra o princípio da progressão, que pode interferir tanto na intensidade, como no volume de treino, antes que possa causar uma nova adaptação. A progressão pode ser trabalhada nos aspectos de velocidade de repetições e tiros de treino, ou então na quantidade destas repetições. Pode-se trabalhar este princípio também sobre o intervalo de repouso entre as repetições.
Dentro da progressão podemos citar a continuidade/reversibilidade - simplificadamente são os altos e baixos do treinamento e que possuem extrema importância durante o processo de sobrecarga e progressão. E também a interdependência de volume x intensidade, que possuem valores inversamente proporcionais e vice-e-versa.
Por fim, chegamos ao princípio da especificidade. Este é em minha opinião o mais complexo dos princípios a ser trabalhado durante o processo de preparação de atletas. Digo isto pois, devido a complexidade do ser humano, não é possível estabelecer um único parâmetro para a preparação de uma atleta. No treinamento a especificidade deve incluir três importantes aspectos:
- sistemas de energia;
- fibras musculares;
- velocidades de competição.
Encontrar o equilíbrio entre estas valências é o "X" da questão. Para isto, a relação intrínseca entre treinador e atleta se faz necessária.
Portanto, ao se respeitar estes princípios de treinamento, o atleta conseguirá ter uma melhor perspectiva sobre seus possíveis resultados dentro de uma competição e até sobre um novo tipo de treino. A relação entre técnico e atleta deve ser estreita, pois através do planejamento de um, observa-se o resultado de outro, para assim surgir novas perspectivas.
Acredito que estas novas informações rechearão a cabeças de vocês com dúvidas e esclarecimentos. Vou aguardar as contribuições de vocês, e daqui há 15 dias estarei aqui postando assuntos relacionados ao tema.
Um grande abraço e até mais!
Primeiramente quero agradecer a todos pelas contribuições e postagens neste blog. Fico lisonjeado pela confiança e reconheço o tamanho da minha responsabilidade para com todos os atletas que necessitam de orientação em seus treinamentos. Sendo assim, mais uma vez agradeço a vocês!
Sobre a minha última postagem verifiquei que muitos atletas ficaram com dúvidas a respeito da organização dos seus treinamentos. O importante é que todos já tem traçados determinados objetivos para o ano de 2009, e isto facilita o trabalho de planejamento de treinos.
Também é importante ressaltar que, todas estas informações aqui postadas são generalistas e tem como propósito auxiliar atletas que não possuem qualquer assistência técnica para a prática de seus treinos. Casos específicos necessitam de orientações específicas. Mas isso não descarta a possibilidade de vocês utilizarem estas informações na construção de seus treinos.
Então vamos ao que nos interessa, treinamento!!!
Pensar em periodização de treino é pensar também em princípios de treinamento. E quando se fala em princípios de treinamento temos em mente que são as primeiras coisas que devem ser levadas em consideração para a objetivação eficaz de um programa de treino. Para isto, eu tenho utilizado um autor bastante interessante, que retrata de modo simplificado, a importância da consideração destes princípios.
Maglischo (1999) cita que, para que um programa de treinamento possa ser bem sucedido deve-se levar em consideração os seguintes princípios:
1- Adaptação;
2- Sobrecarga;
3- Progressão;
4- Especificidade.
Todos estes princípios devem ser levados em consideração em quaisquer tipo de treinamentos para esporte de rendimento. Mas o que isto quer dizer?
Quer dizer que, para que o atleta consiga participar de uma prova dentro de sua capacidade máxima, este atleta deve seguir cada etapa dos princípios de treinamento para ter um êxito positivo em suas provas.
Mas o que são estes princípios?
Simplificadamente são os processos pelos quais o atleta em treinamento deve obedecer para alcançar as metas traçadas.
E como treinar sob estes princípios?
Alguns autores citam que a individualidade biológica faz parte dos princípios de treinamento. De fato deve-se considerar as características genéticas dos atletas para cada determinada preparação. Isto é fundamental para quem está iniciando em qualquer esporte. Mas o princípio da adaptação pode se encarregar em parte na construção de um atleta para determinado tipo de prova.
Ao se iniciar uma prática esportiva, ou então, quando se aumenta a demanda do treino, acontece o princípio da adaptação, que como o próprio nome já diz, é o processo de adaptação do organismo a determinada carga de estresse (seja ele fisiológico, metabólico, psicológico, entre outros). Durante este processo de adaptação deve ocorrer:
- a criação da necessidade de mais energia com o treinamento;
- o fornecimento adequado de nutrientes para a construção dos tecidos; e
- o descanso adequado para a construção e reparo dos mesmos tecidos.
O próximo passo fica por conta da sobrecarga. No princípio da sobrecarga o atleta deve ser estimulado de modo a superar suas capacidades já adquiridas com o treinamento anterior. Ou seja, os estímulos devem ser superiores aos que já são impostos usualmente. Este princípio tem uma fácil determinação, porém sua aplicação é complexa e pode comprometer todo um trabalho de base, tendo como resultado as conhecidas lesões e o supertreinamento (overtraining).
A sobrecarga continuará a ter validade até o momento do atleta atingir um nível de adaptação a mesma. A partir de então entra o princípio da progressão, que pode interferir tanto na intensidade, como no volume de treino, antes que possa causar uma nova adaptação. A progressão pode ser trabalhada nos aspectos de velocidade de repetições e tiros de treino, ou então na quantidade destas repetições. Pode-se trabalhar este princípio também sobre o intervalo de repouso entre as repetições.
Dentro da progressão podemos citar a continuidade/reversibilidade - simplificadamente são os altos e baixos do treinamento e que possuem extrema importância durante o processo de sobrecarga e progressão. E também a interdependência de volume x intensidade, que possuem valores inversamente proporcionais e vice-e-versa.
Por fim, chegamos ao princípio da especificidade. Este é em minha opinião o mais complexo dos princípios a ser trabalhado durante o processo de preparação de atletas. Digo isto pois, devido a complexidade do ser humano, não é possível estabelecer um único parâmetro para a preparação de uma atleta. No treinamento a especificidade deve incluir três importantes aspectos:
- sistemas de energia;
- fibras musculares;
- velocidades de competição.
Encontrar o equilíbrio entre estas valências é o "X" da questão. Para isto, a relação intrínseca entre treinador e atleta se faz necessária.
Portanto, ao se respeitar estes princípios de treinamento, o atleta conseguirá ter uma melhor perspectiva sobre seus possíveis resultados dentro de uma competição e até sobre um novo tipo de treino. A relação entre técnico e atleta deve ser estreita, pois através do planejamento de um, observa-se o resultado de outro, para assim surgir novas perspectivas.
Acredito que estas novas informações rechearão a cabeças de vocês com dúvidas e esclarecimentos. Vou aguardar as contribuições de vocês, e daqui há 15 dias estarei aqui postando assuntos relacionados ao tema.
Um grande abraço e até mais!
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